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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Rica tarde...

... em amena cavaqueira com o ferro de engomar!



Tudo começou logo de manhãzinha quando abri o roupeiro onde repousa o cesto com a roupa lavadinha e dobradinha à espera que alguém, moi même, lhe passe o ferro quente por cima. O monte era tão grande que tombou direitinho às minhas mãos. Vá lá, consegui ampará-lo e voltar a aconchegá-lo. Fechei a porta com jeitinho e lembrei-me que me faltavam peças de roupa nas gavetas para usar. Também já tinha ouvido perguntar por esta ou aquela peça que tinha ido para lavar e não tinha regressado a outro roupeiro, ao que respondi que o serviço de lavandaria cá da tasca estava atrasado por via de outros assuntos mais importantes a tratar, por via do calor que se havia sentido nos últimos dias e ainda por via de não apetecer cumprir esta árdua tarefa em tempo de verão.
Depois do almoço e depois de mais uns afazeres prioritários, tratei de ir buscar o ferro de engomar e a tábua para a cozinha. Seccionei o monte da roupa e fui pousando em cima da mesa da cozinha. Tudo a postos para a dar início ao trabalho e, às habituais conversas com o meu querido instrumento de auxílio às lides domésticas.
- Ó dona minha... Há quanto tempo não me ligavas nenhuma...
- Tens razão! Sentiste a minha falta?
- Muita mesmo! Sobretudo das nossas tertúlias sempre tão úteis e produtivas! Cof cof cof!
- Mau! Estás a gozar comigo ou é mera impressão minha?
O meu ferro de engomar é esperto e inteligente ao mesmo tempo. Manda-me assim umas piadas secas mas também reconhece que nos momentos em que estamos só nós dois, para além de despachar-mos trabalho, também fazemos reflexões, ajustamos contas com a vida, fazemos planos, delineamos estratégias e tem dias em que sonhamos... sonhamos... sonhamos...
Como a tarde prometia ser longa tivemos tempo para tudo e de repente ele sai-se com uma idéia genial. Ele conhece-me bem, topa-me à légua e acertou em cheio ao dizer-me:
- Ó dona minha... precisas dar uso ao verbo "ir"!
- Ir?!?! Eu todos os dias vou!!!
- Não te faças de desentendida! Ir mulher! Ir! Mudar de ares! Arejar as idéias!
- Ai meu querido... mas eu vou! Na passada semana fui três dias seguidos! Ainda ontem, voltei a ir!
- Foste sim! E ontem bem reparei, voltaste cansada! Aborrecida! Chateada! Na na na na... não é nada desse ir que eu me refiro!
- Sim, fui e voltei! Tratei do que tinha a tratar! Cheguei com a língua de fora de tanto calor! E apesar de conduzir ser um dos meus maiores prazeres, concordas comigo no que toca a fazer quilómetros por uma estrada nacional cheia de camiões, semáforos, limites de velocidade, piso podre de mau e calor... certo?!
O blá blá blá continuou... até que ele me interroga:
- Interior alentejano diz-te alguma coisa?
- Não me infernizes os poucos neurónios que ainda se mantêm em funcionamento, por favor!
- Turismo Rural, uma piscina, uma espreguiçadeira, um livro, uma noite quente a observar as estrelas cadentes, um petisco daqueles acompanhado de um belo tinto...
- Pronto! Pronto! Já chega! Agora não dá nem para pensar nisso!
Instalou-se o silêncio entre nós. Só o vai vem do ferro e o som do vapor a sair. As peças saíam certinhas e direitinhas ao monte a que pertenciam e prontas a arrumar e, quando dei por mim já estava a elaborar uma lista mental do que tinha que fazer até sair de casa, do que tinha que preparar para levar para uns dias de qualidade à alentejana. Íamos todos juntos. Mãe Bela ao volante, Titó ao lado e os meninos no banco de trás. Napoleão Manuel à esquerda a olhar os passaritos que sobrevoavam os chaparros e os campos de feno já amarelecido. Lira Maria e Pipoca Maria sempre ao meio a conversar connosco e a rezingar com os rapazes do lado. Petit Manuel à direita a observar o trânsito e sempre a perguntar se ainda falta muito para chegarmos.
O toque do telefone soou tão forte e inesperado que interrompeu aquele sonho visualizado. Atendi. Do outro lado alguém me pedia que elaborasse com urgência uma reclamação por escrito para uma entidade financeira. A voz do lado de lá saía enérgica e irritada. Eu do lado de cá sentia dificuldade em captá-la e assimilá-la. Levei algum tempo em situar-me no foco da questão em causa e isso foi perceptível a quem mo implorava.
- O que estás a fazer?
- A passar a roupa a ferro!
- Ah bom! Continua lá que mais tarde explico-te melhor!
A minha conversa com o ferro de engomar apagou-se ali. O meu sonho fora interrompido e estava a ser bonito. As minhas antenas voltaram-se para aquilo que mais tenho feito ultimamente. Reclamações por escrito com direito a um número considerável de páginas. Verdadeiros dossiers com anexos e comprovativos disto e mais daquilo. Estou tão perita neste assunto que se eu já há muito e muito tempo tinha a certeza de ter errado na profissão, cada dia que passa me mostra mais evidências disso mesmo.
- Dona minha, o assunto não morre aqui! A roupa está em dia e vai para as gavetas e roupeiros. Eu vou para o meu armário e tu... prometes-me que alivias a carga que te pesa nos ombros mesmo que o Interior Alentejano não seja o destino!
- Vou tentar meu ferrozinho de engomar! Vou tentar!


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Da falta de assiduidade...

... aqui na tasca!



* a fadiga física e mental que me assolou há já algum tempo não me quer largar.
* as idéias para escrever algo têm surgido mas, quando me sento para as passar a palavras concretas, evaporam-se.

Depois, o tempo anda a passar tão depressa e eu devo andar a geri-lo muito mal. Se fosse possível, eu pararia os ponteiros do relógio nem que fosse por apenas uma horita e, seguraria neste planeta com toda a força que não trago impedindo-o de girar nem que fosse por apenas a mesma horita. Também poderia abandonar o relógio e até abstraír-me do nascer do sol que depressa se encaminha para sair do horizonte. E seria nessa horita que este meu cérebro abandonaria o cansaço num recanto qualquer e, sem inquietações se despojaria livre e abertamente para a escrita, para a partilha e para o contacto com o exterior.

Oh maldito futuro do pretérito condicional...

Mudando de assunto que este já cansa, entretanto vi o filme Os Descendentes cujo livro tinha acabado de ler e, para não variar, foi uma desilusão. Qualquer filme que veja depois de já ter lido o livro fico sempre com a mesma sensação. Os livros são sempre melhores que os filmes, as histórias narradas soam a real, assistidas no ecrã tornam-se numa miscelânea de imagens em que o espectador acaba sempre por entender uma parte e imaginar ou realizar à sua maneira, a outra parte. Não é que isso seja mau mas sem dúvida nenhuma que sou muito mais de livros do que de filmes. E neste, o que mais apreciei foi mesmo o visual do protagonista muito diferente daquilo que estou habituada a ver. E gostei, gostei do George Clooney em típico modo havaiano...

Também li o Longe é um bom Lugar do Mário Zambujal que vai dar post um dia destes. E comecei logo outro, com muito entusiasmo, do Nicholas Sparks. Mas também já está ali há uns belos dias sem lhe avançar o marcador...

Ah! E cozinhar?! Sempre! Receitinhas para postar?! Bastantes! E as outras que confeccionei e não fotografei?! Mais que muitas!

- Mãe Bela, não tiras foto?
- Fica para a próxima! Hei-de fazer mais vezes...

E visitar os blogs que sigo habitualmente?! Sim, tenho passado por todos e até fiquei a conhecer, gostar e acompanhar mais alguns que me agradaram. Comentar neles... nem por isso... a lista do google reader tem crescido, eu passo em todos eles mas, perdoem-me o não comentar.

Bom, a conversa já vai longa e por hoje fico-me por aqui... na esperança de me recompor e voltar com tanto desejo!


sexta-feira, 20 de abril de 2012

A isto chama-se...

... mimo recíproco... excelente companhia!*



- Anda Mãe Bela! Anda blogar!
- Ai Pipoquinha... estou cansada e sem disposição!


* Não fosse ela, a minha guardiã sempre que me sento à secretária, e este mini-post não tinha saído.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Notas soltas...

... de uma sexta-feira livre de superstições e muito beijoqueira!



* Noite mal dormida e um verdadeiro castigo para acordar.
* Pequeno-almoço sentada à mesa (coisa rara).
* Telefonema matinal de blá blá blá e expressa menção a "sexta-feira, 13"! E eu, - E???
* Chuva, chuva, chuva e mais chuva que me borrifou o corpo e a alma... soube tão bem.
* Pendentes tratados e arrumados.
* Arranjar um molho de agrião com o Napoleão ao meu lado e a falar comigo... Renhaunhau para cá e renhaunhau para lá... estas nossas conversas, esta nossa cumplicidade... é qualquer coisa de estonteante.
* Limpeza feita.
* Uma visita para passar o fim de semana.
* Perfeito!

Supersticiosidade, não me assiste! É o dia do beijo? Para mim é todos os dias!


sexta-feira, 16 de março de 2012

Uma caixa de ferramentas...

... dá um jeitão em qualquer lar de família que se preze!



Oh se dá! E de volta e meia lá anda a Cenourita com invenções, ajustes nos espaços de arrumações e mudanças de decorações. É preciso desapertar de um lado e apertar no outro. Tapar daqui e fazer um furo dali. Desmontar de um lado e montar no outro (juro que nunca sobram peças eheheheh). Virar daqui, revirar dali e virar para acolá. Pendurar uma coisa ali e outra mais além. E tudo se faz com, ou sem ajuda de alguém.

Um dia destes, e numa grande azáfama de bricolage cá pela tasca, Cenourita e Titó só lhes faltava o lápis atrás da orelha e o fato-macaco azul para estarem ao nível de verdadeiros profissionais. Armadas em "Queridas mudámos a casa" trataram de uma série de tarefas com todo o brio e perfeição.

- Mãe Bela! Esta caixa de ferramentas é nossa? - a Titó incrédula com a parafernália de instrumentos devidamente organizados dentro daquela mala toda catita.
- Claro que sim! - respondia a Cenourita manifestando ligeiro apreço pelo seu esmero.
- O orgulho que eu tenho em ti! Só te falta o bebequim... - ela, com ar agradado e ao mesmo tempo insatisfeita perante tão distinta falha.
- Oh não te preocupes! Não faz falta nenhuma! Quando é preciso o dito cujo, eu trato de incomodar alguém perito na matéria! - xiça pah! É que nem me responsabilizo em ser possuidora de tão ilustre aparelho... ainda furo um tubo da água ou da electricidade...

E depois há aquelas situações em que certas reparações têm mesmo que ser feitas por especialistas na matéria, profissionais habilitados ou... por um homem da casa.

- Por acaso tem uma chave sextavada interior?
- Tenho sim senhor! Só um bocadinho, vou buscar!
...
- Traz-me aí o alicate de pontas redondas!
- É p'ra já!
...
- A senhora tem um busca-polos?
- Tenho sim senhor! Vou buscar!
...
- Isto tem que levar uma porca!
- Ah tem! Está aqui!

E há chaves de fenda e estrela de todas as medidas e de cabo curto e comprido, martelo, alicates diversos, porcas e pregos e parafusos, chave inglesa, nível bolha d'ar, limas e grosas e lixas, fita métrica de enrolar, massas reparadoras, trinchas pincéis e tesouras, buchas e brocas, fitas isoladoras... há tralhas sem fim... mas não há o berbequim!

- Titózinh'amore! Não te incomodes... retira-o da lista das probabilidades de presentes para a Mãe Bela, sim?! Quando for preciso, dou a alguém, uma apitadela! :)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Coisas simples e boas da vida...

... dos últimos dias e de hoje, que não estão sujeitas a pagamento de imposto!



* Debruçar-me no muro do terraço a apreciar as primeiras andorinhas... Primavera à porta!

* Do mesmo local e desde sábado até ontem à noite, avistar Vénus e Júpiter... Parece que estão mesmo ali e que lhes consigo chegar com um dedo!

* Ir até à beira mar, encontrar um nevoeiro cerrado, ouvir as ondas a bater nas rochas, fazer uma bela caminhada e de repente... o nevoeiro dissipa-se!

* Examinar atentamente as árvores do terraço e reparar nas folhinhas novas que vêm a nascer... É mesmo a Primavera a chegar!

* Procurar uma música no youtube e encontrá-la publicada num blog que visito regularmente... Irá ser aqui publicada também!

* Sentar-me para escrever aqui e saltar-me um gato para o colo a ronronar e outro para cima da impressora a observar... As gatas devem estar na cama da Titó!

* Comer uma maçã assada, lamber bem a colher e a taça... e acho que vou comer outra!

* Da quietude deste momento... só se ouve o leve tic tac do relógio!



E como me sinto cansada, vou recolher aos aposentos... ler um pouco, até adormecer!

Boa noite e sonhos felizes!


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma espécie de confissão...

... de carácter doméstico!

Ora, pressupõe-se que uma boa dona de casa possua, no mínimo, alguma aptidão para todo o tipo de tarefas relacionadas com a casa e a família. 

Será verdade? Ou será apenas uma suposição?

Confesso que me dá muito jeito que esta teoria não passe mesmo de um grande pressuposto... e passo a explicar:

Hoje, transformei o meu escritório numa verdadeira sala de costura, só me faltava a máquina que, vendo bem a coisa, não me faz falta nenhuma. É que nestas andanças trato sempre de incomodar alguém especialista na matéria. E eu que até tenho um cesto todo catita e bem apetrechado de utensílios próprios ao ofício. Ele é agulhas de todo o comprimento e grossura, linhas das mais variadas cores, tesouras próprias para isto e para aquilo (que nem eu sei para quê), fita métrica, dedal, alfinetes de cabeça e de dama, botões, fitinhas e galões e mais umas quantas coisas terminadas em ais, uis e ões

Umas coisitas a precisar de uns pontitos, mais uns botões a gritar por um reforço nas linhas perante a queda e perda eminente e eu, toda pimpona, arregaço as mangas, faço sair do armário o meu cestinho imaculado, boto as lunetes nas ventas e... começa a aventura.

Primeira dificuldade: enfiar a agulha!
- Raios! O buraco é tão grande e eu não lh'acerto!
Eu que não sou moça de desistir fácilmente, tanto insisti com vira daqui e vira para ali que lá consegui. Pitosguice é tramada!

Segundo momento crítico: dedo todo picado!
- Raios! Vou tentar usar o dedal! Se eu ao menos o conseguisse manter no dedo...
Caíu-me trezentas e vinte sete vezes ao chão, fora as outras tantas em que se embrulhou no meio dos tecidos e eu às apalpadelas para o encontrar!

Primeiro momento áureo: Xô D. Napoleão Manuel e Xô D. Pipoca Maria não dormiram a sesta e divertiram-se à brava.
- Ó garotos pah! Olhem para este chão cheio de linhas! Tragam cá a almofada das agulhas! Ainda se picam!
Um cestinho tão arrumadinho e eles espalharam tudo. Divertiram-se e também me sairam umas valentes gargalhadas só de lhes apreciar as habilidades.

Segundo momento épico: Xô D. Cenourita custou-lhe a desemperrar, mas quando lh'apanhou o jeito...
- Olha! Já está tudo arranjadinho?!?! E eu que até estava a gostar...
Ainda dei uma volta pelos armários na tentativa de encontrar nem que fosse só mais uma baínha descosida ou um botãozito pendurado... mas há-de aparecer e eu hei-de dar conta do recado!



Foi uma tarde divertida pois então! E apesar da falta de jeito acho que só me falta um danoninho para ser uma dona de casa exemplar ;)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A panela ao lume...

... e o cheirinho da carne a cozer misturava-se com o traquinar da louça que saía da máquina de lavar e se guardava pelos armários da cozinha. Da sala, vinha o som da tenaz a compôr a lenha na lareira, a porta do recuperador a fechar, de seguida um pano de pó que se sacudia à janela. A movimentação na cozinha continuava, com talheres a entrar na gaveta e copos de vidro que se ajeitavam na prateleira. O exaustor funcionava no máximo e na tentativa de expurgar o vapor da cozedura e levar com ele um pouco daquele aroma. O aspirador entrava em acção do outro lado da tasca e a cozinheira de serviço quase se estatelara no chão da cozinha ao ser violenta e desprevenidamente apanhada pela corrida dos quatro felinos em fuga daquele ogre que lhes mete respeito e lhes absorve o pêlo espalhado pelo chão, carpetes e sofá. No meio daqueles sons tão comuns numa casa cheia de vida e actividades rotineiras, onde até o pensamento vagueia entre cada divisão, a campaínha toca.
- Titó! Podes ir ver quem é?
- Mãe Bela, estou a aspirar os sofás...
- Oh! E eu tenho as mãos molhadas! - bradava eu enquanto passava as mãos pela toalha turca amarela de cenouras bordada e picote rendado.
Abro a porta e não vejo ninguêm. Avanço no patamar na esperança de apanhar a visita inesperada ou um vizinho no vão das escadas. Alguém que viria certamente, perguntar se havia lugar para mais um à mesa e que, não encontrei...

ARROZ DE PATO À CENOURITA



1 pato caseiro
1 chouriço do Fundão
água qb
sal qb

Numa panela, com água a ferver e temperada de sal, coloquei o pato partido ao meio e o chouriço. Deixei cozer em lume brando. Retirei, reservei o caldo da cozedura e deixei arrefecer. Desfiei retirando todas as peles, ossos e algumas gorduras.

1 cebola grande picada
4 dentes alho picados
1 folha de louro
1 fio grosso de azeite

Tudo num tacho em lume brando até refogar.

1 tira de bacon fumado
1 cenoura ralada
1 pimento vermelho finamente fatiado
1 colher sopa de massa de pimentão

Juntei o bacon cortado em tiras fininhas, a cenoura ralada, o pimento fatiado e a massa de pimentão. Deixei cozinhar lentamente com o tacho tapado para suar bem e fui acrescentado pequenas quantidades de caldo da cozedura até que tudo estivesse bem estufado.

arroz vaporizado qb
caldo da cozedura do pato (dobro da medida de arroz)

Adicionei o arroz, lavado, escorrido e bem seco, que começou por cozer naquele estufado. Fui mexendo até absorver totalmente aquele molho. Juntei o caldo da cozudura do pato (a ferver), envolvi bem e deixei cozer +/- dez minutos mexendo de vez em quando. Juntei o pato desfiado e mais uma concha de caldo. Mais umas voltinhas com a colher de pau e deitei num pirex. Guarneci com o chouriço cortado em rodelas e levei ao forno pré-aquecido a 200º por breves minutos para tostar um bocadinho.



À mesa, tranquilamente, saboreou-se garfada atrás de garfada, em convívio animado e suaves tragos de vinho tinto a acompanhar. Mais tarde, a sobremesa, um belo pudim de pão, e depois... o café da praxe.


... a tv estava ligada, a campaínha tocou. Ajeitava-me para ir à porta quando alguém diz:

- Não vás! O som da campaínha vem da tv!
- Oh enganador spot publicitário que já me fez correr à porta um bom par de vezes...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um ALERTA MUITO IMPORTANTE...

... para todos os que têm em casa aparelhos que funcionam a gás (natural, butano e propano), lenha e carvão!

Com muita frequência se tem conhecimento de acidentes graves e alguns até fatais provocados pela exposição a este gás inodoro, incolor, invisível. Ele está presente nos fumos de combustão produzidos por lareiras, fogões, caldeiras de aquecimento, geradores, fogareiros...
Este meu ALERTA vem na sequência do que hoje aconteceu na tasca (e que já havia acontecido há uns anos atrás mas menos grave) e que me fez chamar o piquete de emergência da Galp Energia.

À hora de almoço senti a casa muito fria, liguei a caldeira do aquecimento, almocei e saí. Três horas depois regressei e, logo ao abrir a porta de entrada levei com um ar pesado e irrespirável que me deixou completamente indisposta. A caldeira estava a funcionar normalmente, o termostato marcava a temperatura programada. Larguei as coisas que trazia, desliguei a caldeira, corri a abrir todas as janelas para fazer circular o ar e, cheia de tonturas, nauseas e dificuldade na respiração procurei o número de telefone do serviço de emergência. Com muita, mas mesmo muita dificuldade, consegui explicar à senhora que me atendeu o que estava a acontecer (e isto já do lado de fora, na esplanada da tasca, ao ar livre). Fui recomendada dos procedimentos a tomar (que já tinha tomado - desligar a fonte de energia, arejar a casa e manter-me na rua) e aguardar pelo piquete que não tardou a chegar.

O primeiro procedimento do técnico foi ligar a fonte de energia (caldeira), fechar a porta e a janela da cozinha, abrir a torneira da água quente e ligar o aquecimento central.  Medir a concentração de monóxido de carbono. O técnico mandou-me sair para a rua, porque eu já tinha sofrido o choque inicial ao entrar em casa e podia voltar a sentir-me mal. Fui. Pouco depois chamou-me para eu ver o resultado que o aparelho mostrava. Eu olhava para o aparelho mas aquele número não me dizia nada, ele... calado, a olhar em volta, até que me perguntou se a sensação que tive ao entrar em casa tinha sido a mesma que estava a sentir naquele momento e ao que eu repondi que foi muito pior, sufocante mesmo. Mandou-me de novo para a rua e continuou a fazer testes. Voltou a chamar-me, fez mais testes já de janela aberta e com entrada de oxigénio, não falava e o ar dele era de preocupação. Mostrou-me de novo o que marcava o visor do aparelho e disse-me:
- Tenho que lhe desligar o gás!
- Uh! Então...
- Aquele pássaro na gaiola teve sorte...
- Uh!
- Os gatos, também tiveram sorte!
- Mas... explique-me...
E explicou! O aparelho marcava 1421 ppm quando o valor de segurança não poderia nunca ultrapassar os 50 ppm. O gás ficou desligado. Logo de seguida chamei outro técnico, o da caldeira. Desmontou-a toda, limpou-a, substituiu-lhe os termostatos do exaustor de gases e, segundo a opinião dele, o problema deve estar resolvido. Amanhã de manhã tenho que chamar a equipe para ligar o gás e fazer novos testes. Se estiver mesmo resolvido, volto a ter o gás ligado e tudo a funcionar normalmente, se não estiver... vai ser uma carga de trabalhos e só terei gás quando não existirem riscos absolutamente nenhuns de intoxicação. Já fui advertida de que poderei ter que retirar a caldeira da cozinha e a possibilidade será abdicar da churrasqueira e mudá-la para lá uma vez que tem uma chaminé independente e directa ao telhado. Vamos ver o que isto vai dar e só espero ter este problema completamente e bem resolvido para ficar descansada.

A todos, que serão certamente a maioria de vós, recomendo que consultem esta informação da Galp Energia bem como este quadro bem elucidativo de sintomas e recomendações gerais que é sempre bom ter em mente para prevenir acidentes e se necessário, imprimir e distribuir pela família para que todos estejam atentos e alerta.



sábado, 21 de janeiro de 2012

Resumo muito resumido...

... dos últimos dois dias!




Cansativos e, como resultado, umas valentes dores de costas. E hoje, para não perder o ritmo... foi dia de reiniciar a actividade física. Bicicleta ao ar livre, a aproveitar o sol da tarde pelas margens do Rio Lis. Que belo passeio não foi Titó?



sábado, 7 de janeiro de 2012

Pequenos, ou melhor, grandes prazeres...

... de fim de festas!

- Enfeites arrumadinhos no sótão.
- Casa limpinha e arrumadinha.
- Lareira acesa.
- Miaus a dormir.
- Donas "afundadas" no sofá.

A época das festas terminou. A casa está mais vazia. Os "pneus" avolumaram ligeiramente. O regresso à rotina impõe-se. E a vontade de a levar de sorriso nos lábios também.



Balanço: Positivo! :)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Eu gosto do frio...

... mas só porque de manhã está um briol do catano e uma camadona de geada, não quer dizer que eu tenha que me enrolar numa camisola de gola alta e mais num casacão de lã, tudo ultra quente!



O clima no interior da tasca é tropical. Da janela avista-se o manto de gelo que cobre os campos e os carros que pernoitam na garagem estrela. Os graciosos feixes de sol iluminam o dia que amanhece tranquilo. Os passaritos esvoaçam loucos em busca das migalhas que lhes atirei pela janela na noite anterior. Ouvem-se portas e portões a abrir e a fechar. Vizinhos que saem para mais um dia de jornada. Os miaus assistem, à janela, atentos, a todos os movimentos. Cá dentro começa a rotina, silenciosa, que só quebra com o original tilintar dos sininhos pendurados na porta de entrada e quando ela se fecha depois de alguém sair.
- Meninos! A Mãe Bela vai sair! Até logo e portem-se bem!
Desço à garagem e sinto algum incómodo ao entrar na latinha. Com alguma dificuldade, pouso a tralha que me acompanha no banco do passageiro. Chave na ignição, portão a abrir, manobra para sair e... abro o vidro.
- Brrrrr!!! Ca frio!!! Oh mas até sabe bem!!!
O dia começa com paragens aqui, ali e acolá. O sol, já alto, derrete o gelo e mostra o verde dos campos. Os vidros dos carros que se cruzam comigo já não têm gelo, mas vão meio embaciados. Eu, de janela aberta. Um entra e sai do carro que sabe bem.
- Hummm... gosto disto!
A última volta do dia tinha que ser na catedral do consumo cá do burgo. Só a necessidade de ajuda técnica para a resolução de uma avaria de um equipamento electrónico de uso profissional e em garantia me fazia ir a tal local. E fui. E ralei-me para lá chegar. E desesperei para estacionar.
- Xiça pah! Mas esta gente é maluca?! Um dia tão lindo e vem tudo para aqui?!
- Xiça pah! Mas porque é que esta gente não fica em casa à lareira?! Ou porque não vão antes passear ao ar livre?! A pé?! De bicicleta?! De patins?!
- Xiça pah! Mas porque raio não vão ver o mar?!
Xiças pah em catadupa enquanto dava voltas e mais voltas para encontrar um espacinho, só um espacinho, para enfiar a minha latinha. O desespero instalara-se em mim. A paciência ameaçava esgotar-se. O sol transformara-se em nuvens carregadas de impropérios e dos poros da casca desta cenoura em estado de nervos, escorria suor...
- Xiça pah! Que calor!
Lá se enfiou a latinha num espacito apertadito e da bagageira saíu o objecto alvo de intervenção que teve que ser carregado corredor e escadas rolantes acima por entre desvios de amontoados de gente.
- Xiça pah! Mas onde raio se meteu a p*ta da crise?!
Deu-me vontade de chamar por ela, gritar a plenos pulmões a ver se essa desgraçada aparecia e punha ordem naquilo, mas... de repente, pensei:
- Xiça pah! A gaja já deve ter bazado daqui p'ra fora... Ou será que anda por aqui, disfarçada, a aproveitar os saldos?!?!
Cheguei ao local. De mangas e golas arregaçadas.
- Xiça pah! Que calor!
Fui atendida e a avaria não foi resolvida. Fui informada de que a marca tem assistência ao domicílio e que resolve o assunto na hora, basta um telefonema e o agendamento de dia e hora. E fiz o percurso de volta ao estacionamento, com o peso do equipamento e o da ira que me acompanhava. Deixei o Xiça pah na loja e trouxe uma palavra obscena que me escoltou até chegar à tasca.
- Meninos! Cheguei!
- Miau miau! Remiau... renhaunhaunhau! *
- Xiça pah! **

Moral do dia: Cenourita Maria, mesmo que o frio aperte, veste uma roupinha mais fresquita e aconchega-te com um casaquinho quente pela manhã... torna-se tudo um bocadinho mais fácil para o resto do dia!


* olá Mãe Bela! Isso é que é calor...
** ????? (não posso repetir javardices à frente deles que eles são miaus bem educadinhos)



sábado, 10 de dezembro de 2011

Pequenos apontamentos...

... dos últimos tempos!



- tornei-me fã da saga vampiresca Twilight (por influência da Titó e depois de há uns anos ter visto o primeiro filme, Crepúsculo e recentemente, Amanhecer I  - agora mal posso esperar por ver o Lua Nova e o Eclipse)*
- a família felina feliz foi à consulta de revisão e reforço anual de vacinação (portaram-se lindamente bem, excepto o Petit Manuel que começou por espalhar charme com marradinhas e ron ron's e quando chegou a vez dele fez birra feia)**
- o espírito natalício entrou na tasca pela mão da Titó logo no primeiro dia do mês de Dezembro (ela fez a árvore de natal e tratou dos restantes enfeites - falta o arranjo de Natal que serei eu a fazê-lo)***
- recebi a comunicação de que a minha revista de eleição e que eu recebia cómodamente na caixa de correio, foi descontinuada (fiquei triste, acabaram-se-me as viagens pelo mundo fora sem sair do sofá)****
- terminei uma manualidade que me entreteu alguns momentos, antes de dormir, durante o último mês (brevemente mostro aqui e estou pronta para começar outra)*****
- dei uma espreitadela pelos blogs que sigo habitualmente e deparei-me com alguns eliminados, outros fechados, uns em pausa e outros de plataforma mudados (não comentei por onde passei porque o tempo não chegou)******



*pela primeira vez na vida, sentei-me numa sala de cinema lotada de malta demasiado agitada, para assistir ao filme Amanhcer I. Conversas e comentários sem jeito e verdadeiros trituradores barulhentos de pipocas... ui ca nervos... grrrr...! Gostei do filme, mas tenho a certeza que irei gostar muito mais de ler o livro.

**estão todos gordinhos qb e altamente malandrecos... Muito mimados, diz a médica de família.

***e hoje fomos investir uns trocos para a celebração da festa da família.

****sem mais sugestões da Rotas & Destinos, resta-me fazer as malas e viajar para os meus locais de sonho.

*****soube-me tão bem para distrair da agitação e do stress.

******dar vida a um blog é alimentá-lo dia-a-dia e quando o tempo não estica e a inspiração escasseia, bem sei que é difícil. Tenho pena dos que foram eliminados, tinham registos que me agradavam, mas compreendo a decisão dos seus autores.


sábado, 3 de dezembro de 2011

Completamente rendida...

... à comodidade das compras on-line!



Dos últimos tempos vividos, das alterações de rotina e da experiência da prima Bé, tornei-me uma verdadeira fã da ida virtual ao supermercado.

Sentar-me tranquilamente no sofá, pc no colo, entrar na loja, escolher os produtos necessários, confirmar o modo de pagamento, dia e hora da entrega da encomenda... e já está!

...

Eis que, à porta da entrada, estaciona a carrinha da loja, um senhor simpático toca a campaínha anunciando a sua chegada. De seguida faz descer a plataforma basculante do veículo por onde desliza um carrinho de caixas empilhadas, sobe ao andar da Tasca onde o espera a Cenourita, abre as caixas, retira as compras devidamente ensacadas e protegidas e coloca-as com todo o primor na cozinha. Segue-se o pagamento por multibanco (a opção que escolhi) e o senhor vai continuar na distribuição ao domicílio e eu vou conferir a factura e arrumar as compras!

Perfeito! E ainda tive direito a um brinde! E sem custos de entrega!

A partir de agora as minhas idas à loja do Ti Belmiro irão ser bem mais reduzidas e eu vou deixar de empurrar carrinhos carregados, passar as compras para o tapete da registadora, colocar tudo nos sacos, pagar, voltar a pôr tudo no carrinho, empurrá-lo até ao estacionamento e desviá-lo das pessoas que se cruzam comigo e nunca me vêem, retirar tudo do carrinho e colocar na bagageira da latinha, chegar à garagem da tasca e retirar tudo, transportar para o elevador, subir, tirar do elevador, acarretar para dentro de casa (hall e cozinha), tirar tudo dos sacos, arrumar... uffff!!! Que canseira!!!


O lado mau/bom da coisa... toda esta tarefa fazia perder calorias, mas eu vou exercitar-me ainda melhor! Vou aproveitar o tempo que usava dentro de uma superfície comercial a fazer caminhadas ao ar livre, junto ao Rio Lis e com as vistas das muralhas do Castelo!




sábado, 26 de novembro de 2011

Pois concerteza...

... que há uns valentes dias atrás vim aqui dizer que estava de volta.



Enganei-me e enganei-vos mas nada foi propositado. Quantas vezes se fazem projectos, se delineam objectivos, se programam os dias e as horas e, de repente, aparece o lobo mau e troca-nos as voltas com uma ganda pinta! 

Não! Não me armei em capuchinho vermelho nem fui levar o lanche à avózinha. Não me perdi no bosque nem dei sumiço ao lanche da cestinha.

E o que tenho feito? Perguntam vocês e pergunto-me eu...

Muitos quilómetros na minha latinha via auto-route. Dias longe da tasca. Horários trocados. Meninos miaus cheios de saudades. Petiscos rápidos e práticos. Tarefas domésticas mais ou menos em dia. Uma ida ao cinema para desanuviar. A tasca mais cheia. Uma parente próxima e muito querida a recuperar de uma cirurgia complicada. Momentos livres bem aproveitados com muita conversa e animação. Dias quentes e noites frias. Uma visita de uma grande Amiga. Uma jantarada de família. Para aliviar o stress,  uns minutos num trabalhito manual, todos os dias, antes de dormir. Inspiração para escrever e disponibilidade para ler... contínuo no nível zero. Ah! E só ouço falar no Natal... Oh God! O tempo voa...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11-11-11 e... estou de volta!

Ah e a data é um mero acaso :)

(gosto do número 11)

Tanto tempo passado e eu sem por aqui passar! Corpo e mente desmesuradamente ocupados e as vinte e quatro horas de cada dia têm sido verdadeiras maratonas das mais diversificadas modalidades da vida, que é a nossa, entre breves abrir e fechar de olhos. Os momentos de descanso têm sido espremidos ao segundo e, como a própria palavra indica, para não fazer rigorosamente nada.

A maioria dos cozinhados têm sido básicos e os merecedores de algum destaque não tiveram honra de registo fotográfico para a posteridade. Até a máquina fotográfica entrou em modo pausa.

A família felina feliz anda a bater o dente com o arrefecimento da temperatura e entre umas corridas para manter a forma física e umas lambidelas na comida deles e outras na nossa, passam o tempo enroscadinhos nas mantinhas a dormir ou de preferência, em cima das donas.

A música tem-se ouvido, raramente. Maluqueiras vividas, algumas. Momentos menos bons, também. Dias maravilhosos, alguns. Leituras, nada. Sonhos, muitos.

Quero agradecer a quem deu pela minha ausência e me procurou, quero pedir desculpa a quem me escreveu e não respondi (não deu mesmo). Agora estou de volta, aqui e aos blogs que sigo habitualmente.

Até já!

sábado, 8 de outubro de 2011

Resumo da Semana


Sem...

Paciência
Vontade
Tempo livre
Inspiração
Dormir

Com...

M*rdices a mais
Tasca cheia de mosquitos
Calor que já enjoa
Rabujice
Tosse, dores no corpo e uma fonte a jorrar nariz abaixo

Valeu...
Porque mesmo assim arrumaram-se tarefas pendentes. Estivessem elas sujeitas ao apodrecimento, saber-se-ia a origem da praga mosquiteira e até já se teriam exterminado tão incómodos insectos... arghhhh!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A malta felina...

... passou a tarde a estorricar na esplanada da tasca!

Ainda lhes perguntei umas quantas vezes:
- Meninos! Não será melhor colocarem protector solar?
Não me ligaram nenhuma e eu continuei no meu trabalhinho. Às tantas, o meu estômago dava sinal de hora de lanche. Levantei-me da cadeira, dirigi-me à cozinha, descasquei um pêssego bem madurinho e misturei-o num iogurte natural da "minha lavra" juntamente com umas sementes de linhaça moídas (estava delicioso e com um aspecto tão bonito e nem me lembrei de tirar foto) . Sentei-me na esplanada a saboreá-lo e de repente dou pela falta dos quatro da vida airada.
- Meninos! Fugiram?
Uma colherada boca abaixo e nem resposta.
- Meninos! Não me fazem companhia ao lanche?
Rapei a tigela e fui no encalce da família felina.
- Ora com que então... tudo aqui a dormir, hein?!
Não me responderam e nem as orelhas mexeram. Cadeiras todas ocupadas e os sonos eram de tal forma profundos, que me sentei na beirinha da minha cadeira para continuar o meu trabalho e a Sua Alteza Real Dona Lirinha Maria Pxexa não se arredou nem um milímetro...

Mãe sofre! :)


sábado, 2 de julho de 2011

Abandonada?

- Não própriamente! Mas quase...

Esta tasca têm andado meio desamparada. A clientela virtual entra e sai, à espera de uma novidade que teima em aparecer. Simplesmente não tem havido grandes novidades e as pequenas que se têm vivido nem honra de registo têm merecido. A clientela real entra e sai de corrida, anda meio desaparecida. Só a Cenourita e a sua Família Felina Feliz mantém a rotina diária, mas curiosamente, com algumas alterações.
As petisquices têm sido muito básicas e sobretudo na base das saladas frias e frutas da época. As aventuras felinas têm-se vivido com loucura à fartazana mas sem registo fotográfico do momento. O som da música tem saído das colunas, calminha e em baixos decibéis só para criar ambiente. Na Tv têm-se assistido aos serviços noticiosos e com especial atenção à situação do país e às novas medidas de austeridade. Os serões têm sido passados no relax da esplanada, a saborear as noites de verão com algumas conversas, leituras e sempre de olho nas brincadeiras felinas. O cansaço e a saturação da rotina têm-nos levado a fechar portas e janelas da tasca mais cedo do que o habitual e recolher aos aposentos para um merecido descanso...

Algo me diz que estamos a precisar de férias...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Abrir ou não abrir...

... a torneira? Eis a questão...

Mãe Bela acabara de lavar a louça e arrumar a cozinha. Retirara o avental e pendurara-o atrás da porta como é habitual. Dos meninos miaus, nem sinal.
Eles que fazem sempre companhia à mesa na hora das refeições, chega a altura das arrumações e põem-se a milhas. É a hora do recreio, a hora das brincadeiras e correrias pelo terraço, a hora de tentativa de caça de um qualquer bichito voador desprevenido, a hora da jogada às escondidas e a hora da Cenourita se refastelar na esplanada da tasca a apreciar as loucuras felinas e a participar nas brincadeiras quando eles não dispensam a sua atenção.
- Meninos! Já na borga?
Corriam e derrapavam numa pequena poça de água que transbordara da rega das oliveiras. Escondiam-se atrás dos vasos e faziam esperas uns aos outros. Saltavam. E... derrapavam na água derramada.
- Hei! Meninos! Cadê o Petit? - perguntava eu, olhando em todas as direcções. Não o via e os outros não me respondiam.
- Meninos! 'Tão! Onde tá o Tizinho? - insistia eu, na esperança de obter a resposta por meio de um qualquer sinal daqueles três gatos que não abrandavam tão maluca diversão.
Fiquei preocupada, onde está um estão todos. A hora do recreio é sagrada. E faltava lá o Petit Manuel.
- Tiiii!!! Petitttt!!! Tizinhoooo!!! Tinuellll!!! - e eu chamava por ele e ele não aparecia.
Voltei para dentro de casa. Ao entrar na cozinha apresenta-se-me este cenário. Em bicos de pés fui ao escritório buscar a máquina fotográfica. Ele nem deu por mim.


- Tizinho! Cumié a nossa vidinha? - surpreendi-o de tal forma que só deu por mim quando o questionei e já depois de registar diferentes etapas da lavagem.
- Hum! Meow... meow meow... meow? (tradução: - Hum! Mãe Bela... estou a tomar banho... não posso?)
- Ó Tinuel! Claro que podes! Mas dentro do lava louça?
- Hum... Meow... meow meow... meow meow... meow? (tradução: - Hum... Mãe Bela... está quentinho e ainda tem um cadinho de água e espuma... faz mal?)
- Ó Petizinho! Não faz mal, mas eu chamei-te e não respondeste, fiquei preocupada e isso é detergente da louça!
- Hum... Meow... meow meow meow meow meow meow... meow! (tradução: - Hum... Mãe Bela... tens razão, mas como eu já estava todo suado das correrias e não podemos desperdiçar nada, eu vim aproveitar a espuma para ficar todo lavadinho e bem cheirosinho... desculpa!)
- Pronto Petit Manuel! Estás desculpado e acaba lá o banho descansado para eu depois vir lavar a banheira!
- Hum... Meow? (tradução: - Hum... Banheira?)
- Ufff! Até tu me baralhas rapaz! O lava louça!
- Hum... Meow! (tradução: - Hum... Ahhhh!)

Ai que tive que me conter para não lhe abrir o "chuveiro". Consegui pensar antes de actuar, senão... nem quero imaginar... em vez de uma "banheira" para voltar a limpar, seria o chão da tasca todo patinhado!


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