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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A panela ao lume...

... e o cheirinho da carne a cozer misturava-se com o traquinar da louça que saía da máquina de lavar e se guardava pelos armários da cozinha. Da sala, vinha o som da tenaz a compôr a lenha na lareira, a porta do recuperador a fechar, de seguida um pano de pó que se sacudia à janela. A movimentação na cozinha continuava, com talheres a entrar na gaveta e copos de vidro que se ajeitavam na prateleira. O exaustor funcionava no máximo e na tentativa de expurgar o vapor da cozedura e levar com ele um pouco daquele aroma. O aspirador entrava em acção do outro lado da tasca e a cozinheira de serviço quase se estatelara no chão da cozinha ao ser violenta e desprevenidamente apanhada pela corrida dos quatro felinos em fuga daquele ogre que lhes mete respeito e lhes absorve o pêlo espalhado pelo chão, carpetes e sofá. No meio daqueles sons tão comuns numa casa cheia de vida e actividades rotineiras, onde até o pensamento vagueia entre cada divisão, a campaínha toca.
- Titó! Podes ir ver quem é?
- Mãe Bela, estou a aspirar os sofás...
- Oh! E eu tenho as mãos molhadas! - bradava eu enquanto passava as mãos pela toalha turca amarela de cenouras bordada e picote rendado.
Abro a porta e não vejo ninguêm. Avanço no patamar na esperança de apanhar a visita inesperada ou um vizinho no vão das escadas. Alguém que viria certamente, perguntar se havia lugar para mais um à mesa e que, não encontrei...

ARROZ DE PATO À CENOURITA



1 pato caseiro
1 chouriço do Fundão
água qb
sal qb

Numa panela, com água a ferver e temperada de sal, coloquei o pato partido ao meio e o chouriço. Deixei cozer em lume brando. Retirei, reservei o caldo da cozedura e deixei arrefecer. Desfiei retirando todas as peles, ossos e algumas gorduras.

1 cebola grande picada
4 dentes alho picados
1 folha de louro
1 fio grosso de azeite

Tudo num tacho em lume brando até refogar.

1 tira de bacon fumado
1 cenoura ralada
1 pimento vermelho finamente fatiado
1 colher sopa de massa de pimentão

Juntei o bacon cortado em tiras fininhas, a cenoura ralada, o pimento fatiado e a massa de pimentão. Deixei cozinhar lentamente com o tacho tapado para suar bem e fui acrescentado pequenas quantidades de caldo da cozedura até que tudo estivesse bem estufado.

arroz vaporizado qb
caldo da cozedura do pato (dobro da medida de arroz)

Adicionei o arroz, lavado, escorrido e bem seco, que começou por cozer naquele estufado. Fui mexendo até absorver totalmente aquele molho. Juntei o caldo da cozudura do pato (a ferver), envolvi bem e deixei cozer +/- dez minutos mexendo de vez em quando. Juntei o pato desfiado e mais uma concha de caldo. Mais umas voltinhas com a colher de pau e deitei num pirex. Guarneci com o chouriço cortado em rodelas e levei ao forno pré-aquecido a 200º por breves minutos para tostar um bocadinho.



À mesa, tranquilamente, saboreou-se garfada atrás de garfada, em convívio animado e suaves tragos de vinho tinto a acompanhar. Mais tarde, a sobremesa, um belo pudim de pão, e depois... o café da praxe.


... a tv estava ligada, a campaínha tocou. Ajeitava-me para ir à porta quando alguém diz:

- Não vás! O som da campaínha vem da tv!
- Oh enganador spot publicitário que já me fez correr à porta um bom par de vezes...


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