... ou excesso de zelo?
Euzinha sou assim uma espécie de protectora de tudo o que me passa pelas mãos... assim como de tudo por onde as minhas mãos passam!
Falando de utensílios indispensáveis ao razoável funcionamento doméstico, cuido deles com todo o jeitinho e carinho, quase como se da mais fina porcelana se tratassem. Mas, não me parece bom procedimento este... eles precisam é de mau trato, berros e verdascadas, a ver se pelo menos respeitam mais a patroa ao invés de ingressarem na reforma antes da idade permitida por lei ou decretarem greve para a eternidade!
Por norma, quando resolvem virar costas ao serviço que lhes compete, os consertos ficam demasiado pesados na carteira e não compensam ou então a maleita é tão grave que se vão de vez. Ultimamente cá na tasca tem sido um vê-se-te-avias com aparelhómetros a dar o grito da discórdia e cá para mim... isto já se trata de um complot entre eles:
- Este mês vais tu para a eterna reforma!
- O mês seguinte vais tu de licença por doença!
- Oh tu aí! Podes ir no mesmo mês que o outro que é para ele não ir sózinho!
Eu só ainda não descobri qual é o cabecilha da rede... mas ando desconfiada com o frigorífico... também me tem pregado umas partidas valentes! Desde Janeiro deste ano qu'isto não pára... a placa do fogão, o aspirador, a caldeira do aquecimento, o forno pequenino, o ferro de engomar, o secador de cabelo, a torradeira, outra vez o ferro de engomar... para não falar dos xeliques do micro-ondas, do frigorífico, da televisão da sala, do telefone fixo... e parece-me que mais qualquer coisa que se me está a escapar... enfim...
Será que lhes faça um seguro de saúde? Ou um de vida? Será que não estão contentes com as regalias desta entidade patronal? Serão horas excessivas de trabalho semanal?

O ferro de engomar entrou na reforma para a eternidade sem sequer meter os papéis à aprovação... e eu, substituí-o e pronto! Toma! Vai buscar!

