Os Meus Artigos

terça-feira, 18 de maio de 2010

Se houvesse por ali um buraco...

... ter-me-ia enfiado lá dentro!
No âmbito do trabalho que estou a desenvolver neste momento, lido diáriamente com muita gente. Gente de todas as idades, todas classes sociais, todos os tipos de personalidade, da maior à menor educação, e eis o ponto mais critíco que é necessário analisar à medida da abordagem que se tem... a auto-estima de cada um destes individuos.

Para desenvolver um diálogo em que a pessoa que me ouve possa captar e perceber bem o que lhe transmito tenho que a abordar usando um tipo de linguagem que ela entenda. Isto consegue perceber-se logo na forma como corresponde à minha intenção de inciar o diálogo. A conversa flui, naturalmente, chega até a desviar-se do propósito com que é iniciada, o que é perfeitamente normal.

A determinada altura de uma dessas conversas, uma senhora, cheia de energia e vivacidade, vira-se para mim e pergunta-me:

- Que idade me dá?

Ora, eu que sou uma pessoa que até nem gosto deste tipo de questões... Tenho sempre aquele receio de falhar, sobretudo por excesso, e tornar aquele momento simpático num verdadeiro desapontamento... fico ali, uma fracção de milésimos de segundos quase alheia, mas resposta impunha-se e, a ferramenta mais evidente que me permite dar a resposta com o maior grau de fiabilidade é observar o rosto, as mãos e o olhar de quem espera impaciente pela resposta.

- Eu até tiro os óculos, para que possa ver melhor!

Perante isto, atirei com reflexão e prudência:

- Hummm!!! Sessenta anos!!!

- Ai! Ai! Cruzes credo! Nunca! Mas nunca ninguém me deu essa idade! Eu até tirei os óculos!

Senti-me perturbada com a reacção de revolta da senhora, que de imediato se virou para o lado e questionou outra pessoa que ali se encontrava. Não obteve resposta e continuou com uma perturbação tremenda e dificil de serenar. Perante um episódio tão desagradável, apresentei as minhas desculpas à senhora pelo sucedido. As manifestações do seu desagrado mantinham-se e, a resposta imperiosa, também!

- Mais uma vez, a senhora queira desculpar-me! Não foi minha intenção magoá-la, mas... fiquei curiosa... que idade tem afinal?

- Sessenta e quatro! Mas nunca ninguém me deu mais de cinquenta e cinco!

Senti náuseas, vómitos, diarreia cerebral, urticária, retenção de liquidos, inchaços, queda de cabelo, flatulência, insónia, unhas encravadas, pressão arterial elevada, espasmos musculares, dormência nas orelhas, visão turva... E ainda lhe poupei quatro anos!!! Estes são os efeitos secundários de quem padece por convivência com pessoas portadoras de problemas de auto-estima.
Valha-nos Nossa Senhora, os Santos, os Anjos e todos os demais...

6 comentários:

Sandra disse...

Realmente há cada uma e uma pessoa tem que aturar disto. Que escandalizada ficou a Sr.ª por a D. Cenourita lhe ter dado menos de 4 anos, tomaramos todas que até ao final nos dessem sempre menos de 4 anos.
Que lhe fique de emenda e para a próxima que esteja calada porque pode ter o azar de alguém lhe dar uns 90 anos.
Bjs.

MJ disse...

Olha Anabela, a mim outro dia aconteceu-me a mesma coisa e sabe que te digo para a próxima fica calada que eu vou fazer o mesmo.
bjs
MJ

Storyteller disse...

Muito bom!!!
Imagino a tua cara a olhar para a senhora! Bem-feita! Para a próxima, a senhora está calada muitíssimo bem calada!
***
:D

P.S. - Imaginas que tal episódio poderia ter passado comigo, não?
Eh! Eh! Eh!

Nadyta disse...

Ahahahahah... isto vê-se com cada uma :D

isabel disse...

lololololol...Desculpe-me comentar com uma gargalhada "internetesa" mas de facto, há situações e episódios anedócticos na vida, como este, que só dão mesmo vontade de rir!
Beijinhos Cenourita!

ameixa seca disse...

Há gente parva todo os dias e o pior é quando se cruzam no nosso caminho :)

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