Os Meus Artigos

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Desfigurada

Este foi o segundo livro que li da Colecção Documentos das edições ASA.


Retrata a história da vida real de uma menina nascida na Arábia Saudita e, que à força e segundo as leis da sociedade do Islão foi literalmente obrigada a se tornar mulher. Lutou contra tudo o que lhe era imposto mas mesmo assim não conseguiu de todo fugir das obrigações de um primeiro casamento negociado, festejado com toda a tradição e riqueza que se impunha e duramente vivido até à altura em que é repudiada pelo marido a devolvida aos pais. Para se ocupar e minimizar dor da vergonha, decide estudar, com uma filha nos braços e o grande apoio da mãe.

O curso de Radiologia não lhe despertava interesse, mas o convívio com outras alunas e o incontornável desejo de tornar a sociedade do seu país receptiva à aceitação da mulher com algum nivel de emancipação, de deixar de ser vista como uma sombra do pai ou do marido, de ser considerada nula em qualquer função excepto a de esposa e mãe, levou-a a conseguir obter algum êxito. Até que, pela mão de um vizinho e amigo chega a repórter de televisão onde se torna numa estrela na apresentação de um programa popular.

Novo casamento, um marido doentiamente ciumento, e cenas de violência extrema desabam em cima dela. Completamente proíbida de comunicar com alguém, fechada em casa e da profissão que abraçara afastada, certo dia é violentamente espancada e abandonada à porta de um hospital. Ficara desfigurada e a obra de reconstituição da sua face fora longa e dolorosa, mas Rania encheu-se de força e coragem, a sua imagem correu o mundo e auxiliada por pessoas importantes dessa mesma sociedade e outras noutros países, leva para a frente uma dura e longa batalha pela defesa dos direitos das mulheres.

É um excelente livro autobiográfico, dotado de muita coragem e inteligência, com uma mensagem estrondosamente importante e uma grande porta que se abre à alteração das leis fundamentalistas dos países islâmicos.


Não vou deixar aqui nenhum trecho, julgo que este resumo remete bem para o tema em questão e recomendo a leitura deste livro.


Aproveito para deixar aqui uma nota extra. À medida que ia avançando na leitura, vinha-me à ideia tudo o que tenho lido pelos nossos jornais. De há já muito tempo para cá, só se lêem desgraças, maridos que matam mulheres, namorados que matam namoradas e vice versa... violência extrema a que não estávamos habituados na nossa sociedade e, agora parece ser o mais comum... é assunto todos os dias... estas situações estão a tornar-se desmesuradamente constantes e para mim, tal como certamente para todos vós que me lêem, é chocante, monstruoso!
Deixo aqui algumas questões:
- Porquê?

- O que se passa com a nossa sociedade?

- Deixou de existir amor pelo próximo? Ou será o amor próprio que está em decadência?

- Será excesso de notícia que acaba por se transformar em publicidade com preço a pagar por quem não merece?



6 comentários:

Pratos da Bela disse...

Querida Anabela, dessa colecção só me falta mesmo ler este livro, pois já li o queimada viva que chorei baba e ranho e mutilada, se amas-te ler este livro de certo amarás ler este dois, pois são fenomenais e também história veridica.
Obrigada por este breve resumo, tenho que o ler o quanto antes...
Jinhos fofos e obrigada.

Sissamar disse...

É verdade, cada vez se vêem mais casos assim,tb são mais comunicados e falados,e tb há um acrescimo de violência, ou seja, cada vez se bate com mais intenção de magoar e até de matar.
Curiosamente esse e outro livro (o menino do orfanato 10) foram os dois livros que comprei este mês! Tb devoro livros, sou capaz de virar a noite com um livro!
Beijinhos
Silvia

Sissamar disse...

Aconselho-te tanto a ti como á Bela, o livro Vendidas. É até agora, o livro mais impressionante que já li, e tb ele veridico. Tem mais 2 em seguimento deste, um escrito pela mesma autora (Zana Mushein) e o outro pela mãe das raparigas sobre o que passou em Inglaterra e o que lutou qd soube que o próprio marido e pai das suas filhas as tinha vendido e levado para o Iémen.
No livro vendidas, é impressionante o relato que ela faz, sobre como teve de lutar com um lagarto gigante, de como matou e comeu uma cobra, tal era a fome que passava, os riscos que corria ao tomar a pilula ás escondidas e a descrisão do parto, tanto dela como os da irmã, em que usavam uma navalha ferrugenta para cortar os cordões, sem qlqr tipo de higiene... já o li por duas vezes e faz-me sempre chorar. Felizmente a autora conseguiu sair daquele país, mas para trás teve de deixar o filho, já a irmã (Nádia) lá continua (até á data que tenho conhecimento) pois teria de deixar não um, mas uns 3 o 4 filhos, daí o 2º livro se chamar uma promessa a Nádia, em que a autora tentou por todos os meios retirar a irmã, o filho e os sobrinhos de lá, mas sem sucesso.
Beijinhos e desculpem o testamento
Silvia

Cenourit@ disse...

Bela
Já li o "Queimada Viva" e também chorei baba e ranho. Estes relatos reais são impressionantes! Um dos próximos que quero comprar é o "Mutilada".

Silvia
"Vendidas" também está na minha lista a comprar e vai ser o próximo. Tenho ali na estante outros dois, à espera de vez, "Sobrevivi" e "Noivas Persas", também do género. Sou doida por livros e até podem andar uns dias na mesa de cabeceira à espera de "tempo sem sono" para começar a ler, mas quando lhes pego... é, como se diz na linguagem gastronómica "até ver o fundo ao tacho".
Não peças desculpa pelo "testamento", é óptimo podermos partilhar assim gostos e experiências.

Beijocas às duas***

Paulinha disse...

Este livro deve ser de facto fantástico.
Já li um livro do género "Vendidas" e gostei imenso.
Uma história de luta e sofrimento constante.
E o que nos faz estremecer da cabeça aos pés quando lemos este tipo de livros é pensar que estas histórias acontecem mesmo.
Fiquei interessada nesta história e vou com certeza procurar este livro para o poder ler.
Obrigada pela sugestão.

Beijinhos

Deia disse...

Obrigada pela dica ;)

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