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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Wok to Stay by Carrot


- Quê?!

Era domingo e desejava-se, tranquilo. A única coisa planeada era que se gozasse o dia conforme a vontade e se saboreasse o descanso consoante a necessidade, que era muita.

Não que estivesse muito frio, mas a lareira acendeu-se logo depois do acordar, ou melhor, não se chegou a apagar durante a noite e, foi só chegar-lhe uns raminhos secos e sobre eles a lenha mais grossa e logo aquela fogueira se ateou forte que nem paixão e, com a música a tocar baixinho, o ambiente estava perfeito para o propósito delineado.

Entre tarefas básicas diárias, brincadeiras com a família felina feliz e folheadelas de livros... a hora de almoço chegou num instante e foi avisada por um brusco roncar estomacal.

- Ehlah! Até me assustei!

Entro na cozinha. Abro despensa, frigo e congelador e, a esmo, disponho uma série de ingredientes em cima da bancada. Arregaço as mangas da camisola de pijama, coloco o avental e... toca o telefone.

- 'Tão? Mãe Bela! Q'andas a fazer?

Meia dúzia de dedos de conversa com o telefone entalado entre o ombro e a queixada e já com sinais de torcicolo no pescoço e, um vai vem entre panelas e fogão...

- Ah! 'Tás a cozinhar! E o que vai ser o teu almoço?
- Wok to Stay by Carrot!
- Quê?!
- Isso!
- Ah!... 'Tà bem...

Não percebeu! Ninguém perceberia! No fim de pronto, que foi bem rápido, mandei-lhe uma foto.

- Ahhhh! É isso!? Ca bom aspecto!


Esparguete salteado terra e mar



2 colheres de sopa de massa de alho e o fundo do wok bem regado de azeite. Numa caçarola, uma couve brócolo a cozer em água e uma pitada de sal. Couve cozida, escorrida e reservada e de seguida, esparguete a cozer naquele caldo, al dente, que depois também se escorre e reserva. Entretanto no wok, e já com o azeite quentinho e o alho a querer crepitar, atira-se lá para dentro com uma cenoura grande bem ralada, uma tigela de berbigão descascado e congelado e outra tigela de mexilhão também descascado e congelado. Tapa-se o wok e deixa-se suar por uns minutitos. Junta-se-lhes uns palitos, acho que foram seis, de delícias do mar cortados em rodelas grossas e logo vão os brócolos também. Mexe-se tudo com jeitinho e a ajuda da colher de pau e molha-se o dedo bem lavado naquele preparado e tenta-se a todo o custo que venha um berbigão agarrado. Vai-se outra vez com o dedo à "ferida" e agarra-se um mexilhão. Hummm... Mnhammm mnhammm mnhammm... A prova é satisfatória. Nem se vão usar as ervas que já estavam ali a jeito que o sabor estava óptimo. O esparguete cozido al dente junta-se ao festim e envolve-se delicadamente de modo a ser bem recebido. A música que toca abana o wok provocando um passo de dança profissional naquele grupo de baile amador e, vamos lá fazê-los suar todos mais um minuto ou dois com a tampa por cima. Diz que suar faz bem... Polegar e indicador, esses atrevidos de serviço, pescam um fio do esparguete e levam-no aos lábios, esses porteiros da gula, que o sugam sem dó nem piedade. Nem vai precisar do molho! Que é logo ali descartado, o desgraçado, danadinho para entrar na dança. 

Perfeito! 

Inspiração de uma cadeia de fast food dos shopping center e com os ingredientes disponíveis, é um prato por mim apreciado e que sai com alguma frequência, que é como quem diz, quando se quer algo rápido, prático, saboroso e saciante.

- Vais almoçar sózinha?
- Na! Eu nunca estou sózinha!

E do que é que eu mais gosto nos "meus" domingos, assim?! Ninguém perceber, apenas eu! E sentir-me bem! 


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Resmunga qu'isso já passa!


Dormiam todos um sono profundo. A mãe, concentrada no trabalho, de volta e meia, sentia a cabeça pender e os olhos a querer fechar. O ressonar deles estava a amolecê-la lentamente... O escuro do céu por causa da chuva que teimava em não dar tréguas e o aproximar do anoitecer favoreciam aquela sensação de se deixar ceder ao embalo, mas não podia ser, dizia ela para as partículas que compõem o ar que se respira e, a custo, arregalava os olhos e sacudia os ombros numa tentativa quase desesperada de despertar e terminar a tarefa.
- Renhenhenhaunhau! - Napoleão Manuel fazia-se anunciar acordado.
- Ai Pupuli qu'até me assustaste! 
- Renhenhenhaunhau! - Napoleão Manuel acordara a resmungar.
- Sim Pupuli! Já sei! Já vou! 
- Renhenhenhaunhau! - Napoleão Manuel achava e muito bem que eu já devia estar na cozinha.
- Pronto Pupuli! Vou agora tratar da janta!
De repente lembrara-se que não tinha deixado nada preparado para o jantar. Abrira o frigo e deparara-se com uma sobra de esparguete do dia anterior dentro de um pirex.
- Renhenhenhaunhau! - Napoleão Manuel teimava em continuar a resmunguice.
- Renhenhenhaunhau o catano! Olha querem lá ver isto... um resmungão nunca resmunga sózinho!
E, entre renhenhenhaunhaus felinos e humanos, resmunguices e resmungões, juntaram-se mais uns ingredientes e a janta ficou feita num ápice e foi saboreada na companhia felina e sem mais resmunguice.

ESPARGUETE SALTEADO COM BACON



esparguete qb (usei uma sobra já cozido)
1 tira fina de bacon
azeite qb
1 cenoura grande ralada
1 colher de chá de massa de alho
2 colheres de sopa de azeitonas de conserva em rodelas
2 colheres de sopa de molho de soja
oragãos qb 

No wok, deitei um fio de azeite, o alho, o bacon cortado em pedacinhos e a cenoura ralada e deixei cozinhar um pouco. Juntei o esparguete e as azeitonas. Envolvi bem e deixei saltear. Borrifei com o molho de soja e servi generosamente polvilhado com oregãos.

- Renhenhenhaunhau!
- Mham mnham mnham!

Quando não há mais ninguém presente, resmungam os gatos com a dona e vice versa ;)


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Primeiro estranha-se...

... depois, entranha-se!
 
Já aqui contei que aprendi não há muito tempo a apreciar salmão fumado. Eu que, em matéria de comida não sou nada esquisita, marcha quase tudo, esta iguaria era das poucas em que eu não tocava e até o cheiro me causava um certo mal-estar. Até que, num célebre dia, apurei as papilas gustativas
e me predispus a apreciar com requinte aquele sabor.
Bendito dia aquele!
 
E benditos todos os outros dias em que me predisponho a fazer tantas e diversificadas coisas que me satisfazem!
 
A receita do meu menú de fim de ano já consta aqui e fiz apenas algumas alterações nas quantidades e no tipo de massa.


SALMÃO FUMADO AL SPAGHETTI NERO DI SEPPIA


200 gr spaghetti negro
300 gr salmão fumado
1 cebola grande
3 dentes alho
1 bom fio de azeite
200 ml natas
oregãos para polvilhar
 
Num tacho com água abundante e fervente e sem sal, levei a massa a cozer al dente. Escorri e reservei. No wok, deitei a cebola e o alho bem picados e o azeite que levei a lume brando até a cebola ficar bem cozinhada mas sem queimar. Juntei as fatias inteiras de salmão fumado e fui mexendo com o garfo de pau até que se desfizessem em pequenas lascas. Adicionei o spaghetti, envolvi bem. Acrescentei as natas, voltei a envolver e deixei cozinhar uns dois minutos. Servi, generosamente polvilhado com oregãos.
 
Mnham mnham mnham... que gostosura! E acompanhado de um tinto Monte das Servas de 2010?
 
- Ui!  ;)
 
 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O rabo é sempre...

... o mais difícil de esfolar!


É um provérbio antigo e bem conhecido. Usa-se e adapta-se na perfeição a situações ou trabalhos em que a parte final é de alguma forma difícil de executar. Neste caso, foi ao contrário. O rabo a esfolar era o início da tarefa e eu tenho uma certa aversão a esfolar este tipo de rabos. Os ditos até eram daqueles bem gordinhos e carnudos em que basta retirar a pele, a espinha do meio e mais umas espinhitas laterais. Nada de complicado, mas… por vezes custoso para quem tem uma relação conflituosa com eles. Os lombos e as barbatanas são sempre os preferidos e os primeiros a consumir. Os rabos, vão aguardando até ao dia em que mando para trás das costas esta espécie de luta surda e decido tirá-los da arca e transformá-los numa bela refeição.
Foi num destes dias, em que curiosamente estava em conflito comigo própria, sem razão aparente e, sem ter ainda decidido o que fazer para o jantar que, fiz as pazes com cinco rabos de bacalhau desesperados por brilhar à mesa da tasca.

LASANHA DE BACALHAU COM ESPINAFRES E CENOURA


5 rabos de bacalhau (grosso)
1 molho espinafres
placas de lasanha (usei de espinafres)
2 cebolas médias
1 cenoura
3 dentes alho
azeite qb
pimenta preta qb
molho bechamel qb
queijo ralado qb

Comecei por escaldar (uma cozedura ligeira) os rabos de bacalhau em água a ferver. Retirei, deixei arrefecer, desfiei e reservei. Na mesma água dei uma escaldadela aos espinafres. Retirei, deixei escorrer e reservei. Num tacho coloquei a cebola em meias luas, o alho picado, a cenoura ralada, um bom fio de azeite e uma concha de sopa da água de cozer o bacalhau e os espinafres. Deixei estufar bem. Juntei o bacalhau desfiado, temperei com um pouco de pimenta moída na altura, envolvi bem, juntei mais uma concha de sopa do caldo da cozedura e deixei apurar. Passei à fase de montagem da lasanha. Cobri o fundo de um pirex com molho bechamel. Por cima uma camada de lasanha, depois uma camada de bacalhau seguida de outra de espinafres. Repetir a camada de placas de lasanha, bacalhau e espinafres e terminar com uma de lasanha. Regar tudo com molho bechamel, polvilhar com queijo ralado a gosto e levar ao forno pré-aquecido a 200º até ficar douradinho por cima.

Não sei se repararam, mas não usei sal nenhum. O bacalhau, embora demolhado, já tem a sua dose de sal, o bechamel que usei foi do de compra e também já é temperado qb, por isso acho que o sal é dispensável.

Bom demais! :)



sábado, 7 de maio de 2011

Há jantares...


... que surgem de conversas matinais, quase mudas!

- Mãe Bela! Hoje tenho que jantar cedo!
- Hummm! Ai é?
- O mais tardar às dezanove e quarenta e cinco!
- Hummm! Ainda bem! Tu até sabes que eu gosto de jantar cedo...

Este foi o diálogo entre mãe e filha numa manhã desta semana. Aqui na tasca, e por norma, ambas acordamos mudas, ou de poucas falas, vá! É o despachar em silêncio ou com uns breves, hummm, ahhh, ok, pode, fica, está e termina sempre com um até logo. Isto é genético e passou na perfeição de mãe para filha e só se fala mais qualquer coisita quando os meninos miaus resolvem fazer algum disparate chamando a atenção das donas para a conversa matinal que mal se ouve. Isto é aquilo a que se pode chamar o começar do dia com tranquilidade, para depois do motor aquecer, se desenvolver ao ritmo necessário de combater esta guerra a que chamamos vida. O dia passou bastante rápido, foi agitado e quase chegou a hora pedida pela menina e a Mãe Bela nem do jantar se tinha lembrado.

- Mãe Bela! São sete e meia! O jantar?
- Titó, o jantar sai já!
- Mas... já está feito?
- Não Titó! Cheguei agora à cozinha!
- Mas... mas... mas...
- Titó! Tu não me stresses mais que o que eu já estou!
- E vais fazer o quê?
- Qualquer coisa!

Assim saiu, qualquer coisa de bom!

NOODLES Al Uovo e Frutos do Mar



esparguete qb (para duas pessoas)
2 ovos
2 dentes alho
azeite qb
cebolinho qb
sal qb
1 embalagem de Ralado do mar Krisia (uma espécie de delícias do mar, raladas, frescas, embaladas em vácuo)
2 colheres de sopa de molho de Soja

Num tacho com água a ferver, um fio de azeite (para a massa não ficar colada) e uma pitada de sal, cozi o esparguete inteiro e al dente, escorri, passei por água fria e reservei. No wok, deitei os dentes de alho laminados, um fio bom de azeite e o cebolinho cortado miudinho. Liguei o bico do fogão com bastante calor e de seguida, deitei os dois ovos e desfiz com o garfo de madeira, mexendo sempre. Juntei o esparguete e o ralado do mar, envolvi bem e deixei saltear ligeiramente. Verti o molho de soja (nesta altura salpiquei o fogão e a parede toda, tal era a pressa), dei mais umas voltinhas na mistura toda com o garfo e servi directamente nos pratos com uma folhinha de poejo.

- Titóóóóó!!! Está na mesa!!!
- Ai Mâe Bela! Não precisas gritar tão alto... olha eu aqui ao teu lado...
- Uh! Nem tinha reparado!
- Isso é comida japonesa?
- Sim Titó! Uma espécie japonesa ocidental de Portugal à moda da tasca ;)


Nota: o esparguete da loja do ti Belmiro traz tagliatelle misturado, por isso vêem umas massas mais largas na imagem :)


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tagliatelle com Salmão Fumado

Todos os dias das nossas vidas todos nós aprendemos alguma coisa. Ensinamentos, práticas, teorias… aprendemos connosco e com os outros. Esta aprendizagem adquire-se por mão própria e transmite-se de mão em mão. Resulta de estudos, experiências e observação. Então e não é que o sentido do gosto também se aprende!
- Não gosto de salmão!
- Não gosto de salmão fumado!
Dizia eu até há uns dois anitos atrás, mais coisa menos coisa. E imaginem eu, que sou daquelas pessoas que diz que gosta de tudo e que de repente começa a pensar bem e acaba por encontrar meia dúzia (não mais) de coisitas que não gosta ou que dispensa sem sacrifício. É óbvio que me estou a referir a comezainas, porque quanto a outros e demais variados assuntos, há muitas coisas que não gosto e também há muitas que gosto e, porque gostos não se discutem…
- Afinal eu adoro salmão!
- Tchiiii… Salmão fumado! É do melhor!
Assim e sem explicação, porque nem tudo tem que ser explicável, eu aprendi a gostar de salmão e confeccionado de qualquer maneira (só ainda não provei cru). Perante esta aprendizagem de gosto e aproveitando a Titó ter ido passear de fim de semana, alambazei-me com este pitéu!




250 gr tagliatelle fresco
160 gr salmão fumado
1 cebola
1 dente alho
1 fio de azeite
1 colher chá de ketcup
100 ml natas
orégãos qb para polvilhar

Num tacho com água abundante e fervente sem sal levei a massa a cozer al dente. Escorri e reservei. No wok, deitei a cebola e o alho bem picados e o ketchup, reguei com um fio de azeite e acendi o bico do fogão. Juntei de seguida o salmão fumado e fui mexendo com o garfo de pau até estar tudo bem misturado e ligeiramente cozinhado. Adicionei as massas, reguei com as natas, envolvi muito bem, retirei do lume e servi no prato. Polvilhei com orégãos.

Sentei-me à mesa, servi o meu copo de vinho tinto alentejano, peguei nos talheres e… jantei na companhia preciosa da minha Família Felina Feliz! Até eles lambiam os bigodes só de cheirar o pitéu! :)





quinta-feira, 7 de abril de 2011

Não foi fácil...

... mas tive que a mandar embora à cotovelada!

Então não é que a senhora dona preguiça estava a fazer-se ao piso para ficar mais uns dias... Na na na...

- Vá lá Cenourita! Está-se bem por aqui!

- Nem penses! Já chega!

- Só mais dois dias... eu pago a estadia!

- Nem a peso d'ouro!

Fez beicinho. Pediu por favor. Argumentou que me ajudava nas tarefas domésticas, que lia e escrevia por mim, que me serviria o pequeno almoço na cama, que dava miminhos aos miaus, que engomava a roupa, que lavava e limpava por dentro a minha latinha, que ia às compras e que até me surpreenderia com um exótico ramo de flores.


- Não e não e não!

- Mas... ó Cenourita... eu...eu...

- Não há eu nem meio eu! Aqui quem decide é a patroa e se não vais a bem vais a menos bem!

Virou-me as costas a resmungar e, pensando eu que ela estaria a arrumar as suas tralhas para se pôr na alheta, fui dar com a magana na banheira, mergulhada em óleos essencias e pétalas de rosa. Que desplante!

Perante este descaramento, só me restou despachá-la à cotovelada ;)


COTOVELADA DE TAMBORIL


4 lombos tamboril

1 cebola média

2 dentes alho

1 folha louro

1/2 copo vinho branco

1 colher café de massa pimentão

polpa tomate qb

pimento verde qb

sal qb

azeite qb

coentros qb

massa cotovelinhos qb

Num tacho coloquei a cebola cortada às rodelas, o alho bem picadinho, a folha de louro sem o veio, a polpa de tomate, a massa de pimentão e as tirinhas de pimento. Reguei com o vinho branco e o azeite e deixei cozinhar cerca de dez minutos em lume brando. Juntei os lombos de tamboril e polvilhei com sal e coentros picados. Deixei estufar em lume lento mais dez minutos. Enquanto isso, levei as massas cotovelinhos a cozer em água abundante e uma pitada de sal. Escorri-as e juntei ao estufado de peixe. Envolvi-as com cuidado e retirei do lume. Polvilhei com mais coentros picados e servi.


Quando retirava o avental para me sentar à mesa, senti uma rajada de vento e ouvi a porta bater com força... era a preguiça a desaparecer da tasca e a prometer instalar-se algures por um dos vossos cantinhos. Não disse qual, mas até estou curiosa... vão-me dando notícias dela ;)


quinta-feira, 3 de março de 2011

Há quanto tempo...

... eu não fazia isto!

Gerir e destinar as ementas desta tasca nem sempre é tarefa fácil. A Titó almoça fora de casa todos os dias úteis da semana e muitas vezes chegada a hora do jantar, ouço isto:

- Oh Mãe Bela! Isso foi hoje o meu almoço!
- Oh Mãe Bela! Ainda ontem almocei isso!
- Oh Mãe Bela! Já não aguento mais comer isso!

E nos dias em que almoça, ouço o mesmo! Ufff!!!

- Titó Maria! Fazes o favor de todos os dias depois de almoço me fazeres chegar informação detalhada do repasto, ok? Via sms, e-mail, phone call, telegrama, sinais de fumo... sei lá... Pfff!

Isto é conversa diária. É o baralha, parte e volta a dar e a missiva nunca chega em tempo útil. Posto isto, e quando o meu tico e o meu teco se sintonizam na mesma frequência sem ruídos estranhos a atrapalhar a comunicação, dou comigo a pensar no que é que há muito tempo não cozinho, que seja do agrado de ambas e que haja poucas probabilidades da menina comer na casa da avó.

- Hei!!! Hummm!!! Yes!!! Há bué que não faço...


ESPARGUETE À BOLONHESA


carne de vaca picada qb (usei cerca de 600gr)
1 cebola
3 dentes alho
1 folha louro
1 cenoura
300 ml polpa tomate
100 ml vinho branco
sal qb
azeite qb

Num tacho coloquei a carne, temperei com sal e envolvi bem. Juntei a cebola e os alhos picados, a cenoura ralada, a folha de louro partida em quatro e sem o veio, a polpa de tomate (costumo usar tomate madurinho mas como não tinha, usei a polpa, e também costumo pôr salsa fresca picadinha mas também não tinha), o vinho branco e o azeite. Deixei cozinhar em lume brando até ficar bem apuradinho mexendo de vez em quando.

esparguete qb
água e sal qb
1 fio óleo
oregãos

Quando a carne estava quase pronta, levei o esparguete a cozer al dente e inteiro em água abundante temperada de sal e com um fio de óleo para não pegar. Depois de cozido, escorri.

Servi directamente nos pratos, primeiro o esparguete e depois a carne por cima. Polvilhei com oregãos e... Titó, Mãe Bela e a amiga Paula...


- Che bel piatto italiano! *


* a tradução é do google porque desisti do meu curso de italiano ao fim de três ou quatro aulas.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aos empurrões...

... e sob muitas pressões, finalmente hoje acaba este mês de turbilhões, confusões, implicações, multidões, lamentações, ilusões, hibernações, enervações, abstenções... tudo aos milhões!

E, como não quero pensar nem recordar o que me desgastou tanto este Agosto, de calor insuportável e a rebentar de adjectivos desprovidos de qualidade minima aceitável, apresento-vos o nosso simples jantar de ontem. Uma volta pelo frigo e outra pelo stock da engorda, restinhos de ingredientes a suplicar consumição urgente e saíu este:

TAGLIATELLE COLORIDO


massa tagliatelle de duas cores (al uovo e legumes)
1 cebola picada
1 colher sopa molho alho Heinz
1 colher sopa ketchup
azeite qb
sal qb
1 lata cogumelos fatiados
fiambre fatiado
1/2 lata milho
tomates cereja qb (do meu tomatal)
oregãos (muitos)

Em água a ferver e sal, deitei as massas a cozer al dente. Numa frigideira anti-aderente, coloquei a cebola, reguei de azeite e deixei cozinhar um pouco. Juntei os dois molhos, o de alho e o ketchup, os cogumelos, o fiambre e o milho. Envolvi bem e deixei cozinhar cerca de 8 minutos em lume brando. Massa já cozida e escorrida, acrescentei-a e voltei a envolver e deixar apurar um pouco no molho que se tinha formado. Retirei do lume, deitei num recipente de ir à mesa, distribuí tomatinhos cereja cortados ao meio e polvilhei com uma mão cheia de oregãos. Arrefeceu um pouco, porque com o calor que se tem feito sentir é impossivel comer quente, levei à mesa da esplanada da tasca, e... já está! Fácil e rápido como convém!

Com esta invenção de ultima hora espero voltar à cozinha que tem andado muito abandonada, e também espero que as temperaturas baixem um pouco para que eu consiga cozinhar!


sábado, 17 de abril de 2010

Macarronada de Frango

Uma madrugada desta semana, mais ou menos sete horas e quarenta e cinco minutos...

- Mãe Bela! Estou bem assim? - a Titó a rodopiar ao lado da minha cama e eu a tentar abrir um olho e depois o outro...
- Estás pois! Uma boazona! - vi uma silhueta alta, robusta, com umas riscas vermelhas, pretas e cinzentas, uns penduricalhos que me turvavam as vistas remelosas de quem ainda estava a sonhar...
- Não te esqueças que hoje venho almoçar a casa! - dá meia volta e aí vai ela, já meio atrasada para a aula das oito da manhã.
- Sim... num'esqueço... - balbuciei eu entre meia volta para o outro lado, continuando o sonho interrompido...

Poucos minutos passados e eis que toca o despertador, eu avanço-o para um segundo toque a cinco minutos mais tarde. Volta a tocar. Eu resmungo. O Petit Manuel resmunga e enrola-se mais ainda numa tentativa forçada de continuar aquele prazer matinal de dormir encostadinho à Mãe Bela... O Napoleão Manuel, aos pés da cama, levanta-se, espreguiça-se e boceja ao mesmo tempo... lança-se aos preguiçosos que teimavam em não querer acordar, destapa-os, ronrona, salta, morde os cabelos à dona... e, bora lá todos pôr as patas fora da cama que o dia chama por nós!

Tarefas matinais habituais de uma Tasca de familia numerosa... completas, um duche rápido, uma roupa prática arrancada à força do roupeiro, uns sapatitos cómodos, os acessórios que não dispenso, carteira, chave do carro, óculos de sol e...

- Meninos!!! A Mãe Bela vai à vidinha dela!!!
A manhã passou num abrir e fechar de olhos mais rápido que o meu ao acordar, meio dia marcava o meu relógio.
-Ai! Não me lembro se a Titó vai almoçar a casa... - eu, com os meus botões.
Vai de trocar sms's com a menina Titó e, então não é que vai mesmo almoçar à tasca... Xiii, mais uns sitios de ida obrigatória, compromissos são compromissos, e o almoço???
- Não vou chegar a tempo de o fazer, não deixei nada preparado... vou buscar um frango assado! - eu, no habitual blá blá blá com os meus botões.

Do almoço, um frango assado com batatas fritas que ainda fui a tempo de fazer e umas migas de couve com broa, para duas, sobrou mais de metade do dito. Como na tasca, nada se desperdiça, há que aproveitar, e quando de uma refeição se pode fazer outra diferente... chegada a hora, toca a preparar o jantar:


frango assado desfiado
1 lata grande cogumelos fatiados
1 lata pequena de milho
1 cebola picada
3 dentes alho picados
pimenta preta moída na altura
1 pacote natas
azeite qb
massa macarrão grande qb
sal qb
oregãos a gosto

Numa frigideira anti-aderente colocar a cebola e o alho picados. Deitar o azeite e levar a cozinhar em lume brando. Acrescentar o frango desfiado, os cogumelos e o milho, polvilhar com a pimenta e deixar cozinhar cerca de dez minutos. Por fim, acrescentam-se as natas vai-se envolvendo a mistura até que fiquem bem incorporadas e ligeiramente engrossadas.
Enquanto isto, coze-se o macarrão em água abundante com sal, escorre-se e deita-se no recipiente de ir à mesa. Por cima junta-se o preparado anterior, envolve-se nas massas e serve-se. Já no prato, polvilha-se com os oregãos, a gosto.

Adoramos!!! ;)



domingo, 11 de outubro de 2009

Pleurotus em Ninho de Penne al Nero di Sepia - Dia Preto

Com um simples vestido preto...

Hoje está no ar mais um capítulo do famosissímo Desafio do Dia da Cor. Preto é o mote e, mais uma vez todo o pessoal desta Tasca se empenhou com boas sugestões e colaborou nas invenções.

A interpretação da cor preta pode ser muito diversificada. O seu sentido depende muito de cada um de nós e é também absorvido consoante o nosso estado de espírito. É normalmente associada a desequilíbrios, negatividade, tristezas e tumultuos... ao mesmo tempo simboliza respeito, dignidade, um certo mistério e até muito humor!

Gosto da combinação desta cor com branco, vermelho, prateado... sei lá... acho que com todas as cores possíveis, na decoração, no guarda roupa, nos mais diversos utensílios do dia a dia e sempre que não seja socialmente forçada a usá-la. Na culinária está presente em muitas e deliciosas iguarias das quais escolhemos estes:

Pleurotus em Ninho de Penne al Nero di Sepia


Usei:

250 gr Penne Preto
água qb
sal qb
500 gr cogumelos Pleurotus frescos
1 cebola grande picada
3 dentes alho
2 colheres sopa alcaparras
azeite qb
salsa picada

Fiz assim:

Água fervente temperada com sal e o penne a cozer al dente, escorrer a água e reservar dentro do tacho para não arrefecer. No wok, deitei a cebola, o alho esmagado no almofariz e azeite a cobrir bem o fundo. Deixei cozer um pouco a cebola sem deixar fritar, juntei as alcaparras e de seguida os cogumelos lavados, escorridos, inteiros (só os maiores foram cortados ao meio). Cozinharam com tampa em lume muito lento cerca de vinte minutos, só destapando para dar umas mexidelas.

Servi directamente nos pratos formando um ninho com o penne e os pleurotus no meio. Salpiquei com molho do estufadinho e muita salsa picadinha.

Foi um petisco fácil e rápido de confeccionar. Um jantar leve e delicioso, com uma garrafinha de Currais tinto a acompanhar e... "alguém" a perguntar:

- Mas onde está a carne? eheheheh

E terminando com uma homenagem a Ivone Silva, essa grande actriz que foi de teatro e revista e está para todo o sempre nos nossos corações...



... Eu nunca me comprometo!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aveludado Verde em Cama de Pasta - Dia Verde

Hoje é o Dia Verde, cor fresca de primavera, vivaça de juventude e crescimento e profundamente ligada à natureza. Quando olhamos à nossa volta e nos deparamos com um prado completamente verde, uma serra que respira verde, um campo cultivado de verde… imediatamente absorvemos aquela calma e paz de espírito que muitas vezes necessitamos para nos carregar as baterias, tornando-se assim fundamental para nos dar aquela energia positiva para enfrentar cada dia.

A Tasca da Cenourita vai participar no desafio do Dia da Cor com um delicioso, energético e substancial prato salgado, criado com base em ingredientes que são indispensáveis ao fornecimento dessa energia. Chamei-lhe Aveludado Verde em Cama de Pasta. Sucesso garantido cá na Tasca, espero que gostem…



Usei:

500 gr tagliatelle
500 gr requeijão de Seia (2 requeijões)
2 emb esparregado 4 salti da Iglo
6 dentes de alho finamente picados
1 fio azeite
sal qb
oregãos qb
água qb

Fiz assim:

Panela ao lume com água, sal e um fio de azeite para cozer a tagliatelle. Numa frigideira anti-aderente, preparei o esparregado conforme as instruções da embalagem. Numa tigela funda esmaguei os requeijões com um garfo, juntei os alhos bem picadinhos e reservei. Depois do esparregado pronto juntei-lhe a massa de requeijão com alho envolvendo bem e levei novamente ao lume para uniformizar melhor. Num pirex, coloquei as massas cozidas al dente e escorridas, por cima deitei o creme aveludado de esparregado com o requeijão. Polvilhei com oregãos, e... já está!



Aconselho acompanhar este petisco com um vinho branco bem fresco, um alvarinho ou um lambrusco!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Fusilli Serra e Mar

Tem dias em que a Tasca se transforma num "il vero ristorante" Italiano!


Uma refeição de massas é sempre bem recebida! É prática, rápida e ideal para restabelecer energias... para além de ser também muito "gulosa" ;)

usei:

massa fusilli qb
400 gr miolo camarão
400 gr miolo ameijoa
1 lata de cogumelos laminados
1 cebola picada
1 colher chá de massa de alho
1 colher café massa de pimento
azeite qb
mistura de pimentas qb
sal qb
oregãos

Fiz assim:

Numa frigideira anti-aderente pus a cebola picada, o alho e o azeite, deixei cozinhar até a cebola começar a cozer, deitei o miolo de camarão, o de ameijoa e os cogumelos escorridos, acrescentei a massa de pimento, tapei e deixei cozinhar cerca de 15 minutos em lume brando, moí a pimenta e deitei por cima, mais 5 minutos e ficou pronto. Enquanto isso, coloquei água e uma pitada de sal numa panela que foi ao lume, depois de ferver deitei o fussilli que cozeu durante 8 minutos, escorri, coloquei no recipiente de ir à mesa e por cima deitei o preparado de serra e mar. Polvilhei com oregãos e... hummm... que bela pasta!!! :)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fim de semana...

... à lareira!


Ah pois foi! O frio chegou veloz e quase sem avisar e o pessoal cá da Tasca convenceu-se que íamos ter calor até ao fim do ano. De modo que, nada de tratar de encomendar a lenha para aquecer um bocadinho mais o ambiente da Tasca. Então e não é que há sempre um dedito que adivinha qualquer coisa e até acerta...

No sábado, a Titó e o Petit estudavam para a frequência de Direito das Obrigações e a Cenourita e a Lira faziam tricot...




- Mãe Bela, não tens frio?
- Hummm... já sabia bem ligar o aquecimento...
- Mãe Bela, não tens curiosidade de saber se a lareira vai deitar fumo para fora?
- Oh Titó, ainda nem comprámos lenha...

Trim Trimmm (mais ou menos dez minutos depois)

Abri a porta e dei-me com o Gonçalo, o menino querido do 1º esqº.
- O meu pai disse para eu vir cá buscar o cesto da lenha.
- Oh Gonçalo!!! Para quê???
- O meu pai disse... e é para eu levar.
- Uh... está bem, leva lá.
- Eu já volto.
Fechei a porta e, disse logo a Titó:
- O vizinho foi à lenha.
Trim Trimmm - Lá fui eu abrir, o Gonçalo e o pai com o nosso cesto cheio de lenha.
- Ouvi dizer que está aí uma menina a cansar os neurónios e a tremer de frio, é verdade???
- Ai vizinho, oh se é... tou a morrer de frio (disse a Titó, que ainda o frio vem a milhas e ela já o sente)
- Aqui está, só preciso de fósforos.
Cheguei os fósforos, e o Zé acendeu logo a lareira. Os miaus assustaram-se, nunca tinham visto a lareira acesa, mas pouco depois já se aproximavam, cheiravam, olhavam para nós como se quisessem perguntar o que é aquilo, para que serve, e se podem ficar ali ao pé... Depressa perceberam que sim, e que de repente tinha ficado quentinho e que se estava bem ali... não arredaram patas durante imenso tempo e a Titó esfregou as mãos de contente... afinal o vizinho tem um dedo que adivinha. Confesso que também me senti bem melhor... já sabe bem a lareira acesa, a Tasca fica com um ambiente mais acolhedor, mais quentinho... e os miaus adoraram.
Logo se combinou o jantar, 1º esqº e 1º dtº à mesa da Tasca da Cenourita. Fiz Fusilli com Delícias do Mar e Cogumelos, esta receita, só que em vez de tagliatelle usei fusilli e para o recheio, em vez de atum usei cogumelos. Foi um jantar à italiana com um bom vinho rosé a acompanhar. A sobremesa foram Castanhas Assadas pela mãe da Zélia e merendeiras de batata doce. No fim, um cafézinho, um licor de cereja e mais um serão de convívio.




No domingo, foi a continuação do dia anterior... lareira acesa, miaus a nanar, Titó a estudar... e a Cenourita e o Nino só sairam um cadinho para fazer umas comprinhas necessárias e depois... relax... relax... relax...


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Penne com Tomate e Paio


cebola picada qb
1 colher chá massa de alho
1 fio de azeite
tomate maduro cortado em bocadinhos
rodelas de paio
massa Penne qb
sal qb
oregãos

Numa frigideira põe-se a cebola, a massa de alho e o azeite em lume brando, junta-se o tomate e deixa-se cozer um pouco.
Corta-se o paio em rodelas grossinhas e depois em quadradinhos e deitam-se na frigideira.
Enquanto isso coze-se em água e sal a massa, escorre-se e acrescenta-se ao preparado na frigideira. Envolve-se bem e deixa-se ficar um ou dois minutos para apurar.

Serve-se directamente no prato e polvilha-se com oregãos.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Tagliatelle All'Uovo com Atum e Delícias do Mar


Massa tagliatelle qb
2 latas atum
1 emb delícias do mar
1 cebola picada
1 colher chá de massa d'alho
1 pct natas
azeite qb
sal qb
oregãos qb

Deixa-se cozer a massa all dente com sal, escorre-se e reserva-se.
Entretanto no wok ou numa frigideira anti-aderente leva-se a refogar a cebola picadinha com a massa d'alho e azeite, escorre-se o azeite do atum e mistura-se no refugado, juntam-se as delícias do mar cortadas aos quadradinhos e deixa-se em lume brando por mais ou menos 5 minutos. Juntam-se as natas, deixa-se engrossar um pouco. Retira-se do lume e deita-se num recipiente de ir à mesa por cima da massa.

Ao servir no prato polvilho com oregãos.

Para quem aprecia massas é um prato fácil, rápido e óptimo para quando se tem visitas inesperadas e há que tratar de cozinhar um petisco assim de repente :)


No dia em que fiz estas massas a Titó quis fazer uma sobremesa, como não tem grande dedicação à cozinha nem tem tido tempo para isso por causa dos estudos, brindou-nos com uma gelatina vegetal de morango...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Vitelinha al Penne



500 gr carne de vitela
250 gr massa penne
1 cenoura
1 cebola
2 dentes alho
1 folha de louro
2 tomates madurinho
1 copo vinho branco
0,5 l água
azeite qb
sal qb

Corta-se a carne em cubinhos, põe-se num tacho a cozinhar lentamente com a cenoura cortada em cubinhos, a cebola picada, o alho esmagado, o louro, os tomates limpos de pele e graínhas (aproveita-se também o sumo do tomate) e os restantes ingredientes.

Depois da carne cozinhada junta-se a água a ferver e as massas, rectifica-se o sal, deixa-se cozer por mais ou menos 12 minhutos depois de começar a ferver e é só servir.

Pode polvilhar-se já no prato com queijo ralado e oregãos.
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