Os Meus Artigos

Mostrar mensagens com a etiqueta Carne. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carne. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sexta-feira rima com...


... fim de semana e lareira!

Yes! 

Finalmente acabei de entrar em modo fim-de-semana, e bem que preciso. Preciso de descontrair no quentinho do lar, preciso de no sofá me esticar, preciso de a um livro me agarrar, preciso de comidinhas reconfortantes para me deleitar, preciso de meias de lã quentinhas calçar e de numa mantinha polar me enrolar... e tudo isto na fiel companhia dos miaus a ronronar.
Ao que perece, os senhores da meteorologia não se enganaram e o frio veio mesmo para ficar, e eu vou aproveitar para assim descansar.

Fica esta sugestão para quem quiser saborear. Um dos meus "petiscos" favoritos da comida tradicional portuguesa.

ARROZ  DE CABIDELA DE FRANGO (OU GALO)

- ó p'ra ele a fumegar -

1/2 frango caseiro cortado em pedaços pequenos
1 cebola grande finamente picada
2 dentes alho picados
1 folha louro
vinagre de vinho branco a olho
arroz qb (uso uma medida que dá cerca de 200gr)
sangue (da matança do frango, a olho mas quanto mais, melhor) 
azeite qb
sal qb
água a ferver qb

Corto o frango em pedaços pequenos para cozinhar bem e rápido e tempero-o apenas com um pouco de sal. Num tacho, coloco a cebola e o alho bem picadinhos e a folha de louro, rego com um bom fio de azeite e deixo cozinhar um pouco. Junto o frango e envolvo bem. Tapo o tacho e deixo cozinhar a carne apenas naquele tempero e no vapor que forma lá dentro, mexendo de vez em quando. Quando já está cozido, junto o arroz e envolvo-o na carne, de seguida a água a ferver (3x a quantidade de arroz), rectifico o sal e quando o arroz está quase cozido, retiro do lume, deito o sangue (que já tem vinagre desde a colheita para não coalhar) e ainda rego com mais um pouco de vinagre. Levo de novo ao lume por breves minutos (1 ou 2 até ferver), retiro e sirvo de imediato.

Faço quase sempre só para mim, a filhota não gosta, e rende-me para duas e às vezes três refeições, o que não me desagrada nada porque mesmo aquecido no micro-ondas sabe-me sempre bem!

Já disse que adoro este petisco? Já? Desculpem, mas é que adoro mesmo :)

Bom fim de semana!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A minha primeira experiência...


... com a Actifry 2+1!

Pois, ela veio viver cá para casa já há algum tempo. Há muito que constava de uma das minhas wishlists e a oportunidade surgiu. Esteve sossegadinha na bancada da cozinha durante algumas semanas porque estava muito calor e não apetecia cozinhar coisas quentes. Até que o tempo começou a refrescar e eu me decidi a preparar a primeira refeição com a sua ajuda. Tinha destinado uma coisa para  a estreia do robot, mas trocaram-me as voltas e os horários e acabei por decidir "desenrascar" com uns croquetes que tinha na arca. Em boa hora folheei o livro de instruções e receitas e:

- Ehlah! Mas eu posso fritar os croquetes na Actifry! E diz que até posso fazer lá também o arroz! Bora lá testar a coisa!

CROQUETES DE CARNE COM ARROZ DE TOMATE CHERRY



12 croquetes
1 colher/medida de azeite

muitos tomatinhos cherry (uns 20+/-)
1 cebola picada
1 dente alho
1 colher/medida de azeite
sal qb
1l água a ferver
arroz (usei a minha medida habitual */- 200gr)

Na cuba da máquina coloquei a cebola, o alho, o louro, os tomatinhos lavados e cortados em quatro e o azeite. Fechei a tampa. Programei cinco minutos e liguei. Ao fim desses minutos, juntei o arroz e deixei cozinhar por 2 minutos. Abri a tampa e juntei a água já a ferver e o sal. Fechei e programei o pictograma para trinta e cinco minutos. Ao faltarem quinze minutos para terminar a cozedura, a máquina apita, abre-se a tampa e coloca-se o tabuleiro com os croquetes pincelados com o azeite. Fecha-se e enquanto o arroz termina a cozedura, os croquetes assam. Durante estes minutos finais, abri a tampa para virar os croquetes e assim eles ficarem com uma assadura homogénea.



Ficou tudo um espectáculo! Adorei o arroz e os pastéis ficaram divinais!

Logo à primeira, a máquina passou no teste e desde então tem trabalhado bem :)


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dentro do tacho...


... porque em Tasca que se preze nem tudo vai à mesa na travessa!

Frango é das carnes que mais se consomem por aqui. E não é qualquer frango que nos satisfaz. Somos uns sortudos por participar, ainda que de modo passivo, na sua criação desde os poucos dias depois da bicada para fora do ovo até atingirem o tempo ideal de crescimento para aquilo que se pretende. E somos também para lá de sortudos por termos quem trate de toda a actividade de os criar até estarem prontinhos a ir tacho. A última vez que participei mais activamente foi no processo final, e... se forem muito sensíveis não leiam o resto da frase... só lhes tirei algumas penas e cortei as unhacas.

Aproveito para deixar aqui o meu imensurável agradecimento ao casal de Amigos que o fazem, isto e outras iguarias caseiras que vêm directamente do campo para a cidade, da horta deles para a cozinha da tasca.

Um dos petiscos que mais gosto é tradicional português e comum em muitas casas de família. Não tem receita especial nem ciência em particular, cada um faz a gosto, e num dos dias em que eles chegaram cá prontinhos a ir para a arca congeladora - apenas os corto em pedaços - eu não podia ter deixado de cozinhar logo um, de uma forma que... até me lambuzo! ;)

FRANGO GUISADO COM ESPARGUETE



1 frango caseiro cortado em pedaços
3 dentes alho esmagados
sal qb
1 copo vinho branco
1 ramo de salsa
1 folha de louro
2 colheres de sobremesa de massa de pimentão

Tudo dentro do tacho e deixar assim temperado dentro do frigorífico por algumas horas mexendo de vez em quando.

2 cebolas grandes picadas
2 tomates grandes sem pele e esmagados
1 cenoura em cubinhos (que desta vez não pus porque me esqueci)
1 copo de água (a mesma medida do de vinho do tempero)
azeite qb

Juntar os ingredientes acima e ligar o fogão. Deixar guisar lentamente e se necessário ir acrescentando alguma água a ferver. Rectificar o sal.

esparguete qb
água a ferver

Quando a carne der sinais de estar cozinhada, junto a água (a ferver) suficiente para cozer a massa. Coloco-a de imediato, começa a ferver, rectifico novamente o sal e (mais ou menos) dez minutos depois está pronto a servir.

Vai à mesa dentro do tacho, porque não tem o mesmo sabor se for servido de outra maneira!


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Típico da culinária portuguesa...

... que se confecciona e saboreia com alguma frequência cá na tasca!

A tão conhecida Carne de Porco à Alentejana faz parte de inúmeros cardápios em restaurantes e casas de família por este país fora. É claro que tasca que é tasca tem que o mencionar na sua ementa também, sob pena de perder a clientela atenta aos sabores tradicionais no nosso país. Então e não é que só há pouco tempo dei conta que ainda não constava aqui na lista... que falha grave! Posto isto, elaborei uma espécie de rol mental de uma série de pratos que se cozinham por cá e que ainda não tiveram a honra de desfilar como bem merecem.

Era sábado, já noite, já hora de descansar as pestanas, quando me lembrei que não tinha sequer pensado no que iria ser o almoço no dia seguinte.

- Xiii... e o almoço para amanhã?! - eu a cair de sono e já a caminho do ó-ó.
- Anda dormir que de manhã logo decides! - o meu chinelo do pé direito sempre cuidadoso para com o meu descanso.
- Anda nada! Mexe-te! Vai à arca e tira qualquer coisa de bom! - o meu chinelo do pé esquerdo no seu melhor... sempre do contra.
Isto de dar conversa aos chinelos nem sempre dá mau resultado. Por vezes lá conseguimos estar todos em pleno acordo, mas outras... puxa cada um para o seu lado e a batata quente sobra sempre para mim.
- Ai! Eu amanhã bem que ia almoçar fora... - eu a sonhar, ainda acordada.
- Batata? - o chinelo direito.
- Carne!? - o chinelo esquerdo.
- Hummm... tenho umas ameijoas grandes e fresquinhas... - eu sem conseguir acabar de expor o raciocínio.
- Carne de Porco à Alentejana - os dois em coro.

A receita não tem segredos, e é assim que faço desde que me conheço nas voltinhas de fogão, tachos, colheres de pau e afins. Os ingredientes e as quantidades são todos a olho e desta vez foi refeição para as duas princesas da casa mas, se tivessem chegado visitas, dava para mais duas e para ficarem bem saciadas. Resultado, almoço do dia seguinte, assente :)

CARNE DE PORCO À ALENTEJANA




carne de porco cortada em cubinhos
sal qb
dentes alho esmagados
louro
1 malagueta
massa de pimentão
vinho branco

Temperar a carne com os ingredientes acima com alguma antecedência. Costumo temperar de véspera, mas desta vez foi umas horas antes, logo de manhã.

ameijoas

Lavar bem as ameijoas para que larguem alguma areia escondida dentro da conchinha.

batatas cortadas em cubinhos
sal fino qb

Fritar as batatas. Escorrê-las da gordura da fritura e polvilhar com um pouco de sal fino.

azeite qb

Num tacho, colocar a carne temperada e juntar o azeite. Dar-lhe umas voltinhas com a colher de pau, ligar o bico do fogão e deixar cozinhar lentamente mexendo de vez em quando. Quando a carne estiver quase frita, adicionar as ameijoas. Mais umas voltinhas com a colher para que se misturem naquele molho bom. Tapar o tacho e deixar suar breves minutos, o tempo suficiente para que abram e fiquem ligeiramente cozinhadas.

coentros picadinhos (muitos)

No recipiente de ir à mesa, colocar as batatinhas já fritas. Deitar por cima, a carne com as ameijoas. Polvilhar generosamente com coentros picados.



Sentar à mesa, admirar brevemente a beleza do conteúdo da travessa e inalar o aroma que paira no ar. Atenção que nesta parte não se deve perder muito tempo, não vá o petisco arrefecer. Servir o prato. Atestar o copo com o vinho já respirado, desta vez foi um Cedro do Noval de 2007. Pegar no talher, e...

- Uau! Boa idéia meu par de chinelos!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A panela ao lume...

... e o cheirinho da carne a cozer misturava-se com o traquinar da louça que saía da máquina de lavar e se guardava pelos armários da cozinha. Da sala, vinha o som da tenaz a compôr a lenha na lareira, a porta do recuperador a fechar, de seguida um pano de pó que se sacudia à janela. A movimentação na cozinha continuava, com talheres a entrar na gaveta e copos de vidro que se ajeitavam na prateleira. O exaustor funcionava no máximo e na tentativa de expurgar o vapor da cozedura e levar com ele um pouco daquele aroma. O aspirador entrava em acção do outro lado da tasca e a cozinheira de serviço quase se estatelara no chão da cozinha ao ser violenta e desprevenidamente apanhada pela corrida dos quatro felinos em fuga daquele ogre que lhes mete respeito e lhes absorve o pêlo espalhado pelo chão, carpetes e sofá. No meio daqueles sons tão comuns numa casa cheia de vida e actividades rotineiras, onde até o pensamento vagueia entre cada divisão, a campaínha toca.
- Titó! Podes ir ver quem é?
- Mãe Bela, estou a aspirar os sofás...
- Oh! E eu tenho as mãos molhadas! - bradava eu enquanto passava as mãos pela toalha turca amarela de cenouras bordada e picote rendado.
Abro a porta e não vejo ninguêm. Avanço no patamar na esperança de apanhar a visita inesperada ou um vizinho no vão das escadas. Alguém que viria certamente, perguntar se havia lugar para mais um à mesa e que, não encontrei...

ARROZ DE PATO À CENOURITA



1 pato caseiro
1 chouriço do Fundão
água qb
sal qb

Numa panela, com água a ferver e temperada de sal, coloquei o pato partido ao meio e o chouriço. Deixei cozer em lume brando. Retirei, reservei o caldo da cozedura e deixei arrefecer. Desfiei retirando todas as peles, ossos e algumas gorduras.

1 cebola grande picada
4 dentes alho picados
1 folha de louro
1 fio grosso de azeite

Tudo num tacho em lume brando até refogar.

1 tira de bacon fumado
1 cenoura ralada
1 pimento vermelho finamente fatiado
1 colher sopa de massa de pimentão

Juntei o bacon cortado em tiras fininhas, a cenoura ralada, o pimento fatiado e a massa de pimentão. Deixei cozinhar lentamente com o tacho tapado para suar bem e fui acrescentado pequenas quantidades de caldo da cozedura até que tudo estivesse bem estufado.

arroz vaporizado qb
caldo da cozedura do pato (dobro da medida de arroz)

Adicionei o arroz, lavado, escorrido e bem seco, que começou por cozer naquele estufado. Fui mexendo até absorver totalmente aquele molho. Juntei o caldo da cozudura do pato (a ferver), envolvi bem e deixei cozer +/- dez minutos mexendo de vez em quando. Juntei o pato desfiado e mais uma concha de caldo. Mais umas voltinhas com a colher de pau e deitei num pirex. Guarneci com o chouriço cortado em rodelas e levei ao forno pré-aquecido a 200º por breves minutos para tostar um bocadinho.



À mesa, tranquilamente, saboreou-se garfada atrás de garfada, em convívio animado e suaves tragos de vinho tinto a acompanhar. Mais tarde, a sobremesa, um belo pudim de pão, e depois... o café da praxe.


... a tv estava ligada, a campaínha tocou. Ajeitava-me para ir à porta quando alguém diz:

- Não vás! O som da campaínha vem da tv!
- Oh enganador spot publicitário que já me fez correr à porta um bom par de vezes...


terça-feira, 7 de junho de 2011

Uma experiência saudável...

... e a repetir!

Ultimamente os cozinhados cá pela Tasca têm sido muito simples e básicos, centrando-se nos cozidos e grelhados com saladas a acompanhar. Más disposições digestivas obrigaram-nos a modificar a alimentação evitando ao máximo todo o tipo de gorduras. Mas chega um dia e depois outro e mais outro de seguida, em que a repetibidade do género começa a enjoar e apetece variar. Descongelei uma peça de lombo de porco e pensei assá-la no forno.
- Hummm! Vou assá-la sem gordura e sem grandes tempêros!
Inspirei-me no tão famoso frango com limão e decidi e muito bem fazer uma coisa do género.

LOMBO DE PORCO COM LIMÃO


1 peça lombo de porco (+/- 1kg)
Sal qb
tomilho qb
2 limões


Comecei por golpear profundamente a carne mas sem a separar. Polvilhei com um pouco de sal e tomilho, entremeei rodelas finas de um limão e reguei com o sumo de outro limão. Deixei a "descansar" cerca de duas horas.

Forno pré-aquecido a 150º e tabuleiro refractário com a carne lá para dentro. Assar lentamente cerca de duas horas até ficar lourinha por fora e cozinhada por dentro. A carne vai largando toda a águae gordura, é impressionante, e não fica nada seca.
Para acompanhar saiu um arroz com feijão, simples, também sem qualquer espécie de gorduras e uma salada de alface.


O perfume do limão com o tomilho espalhava-se e saía fora da cozinha, anunciava-se um petisco elaborado, mas nada disso, super simples e bem aprovado!   

São servidos?


terça-feira, 19 de abril de 2011

Ele há dias...

... em que parece que só conheço um modo verbal!

E há um dia em cada semana que não me safo de o conjugar num ou outro modo. Há um dia em cada semana que me dedico à árdua tarefa de montar a tábua na cozinha, colocar em cima da mesa uma pilha valente de roupa, ligar o ferro e... concentradíssima na obra, é ver lençóis, toalhas, pijamas, camisolas, calças, etc e tal, num brinquinho pronto a arrumar e voltar a usar. Nunca me livro de umas boas duas ou mais horitas de mente em grande acção. Ah sim, porque passar a ferro implica ter as mãos ocupadas, os olhinhos fixos na roupa para não fazer asneira e... a cabeça??? Essa pobre coitada não tem direito a descanso, nem enquanto se dorme. Daí e perante um acto quase mecanizado, as idéias correm os cantos mais recônditos dos sítios todos possíveis e imaginários e, quando dou conta estou a desfiar "ses" atrás de "ses"... Hoje foi o dia do pretérito imperfeito!
- Se eu já lá tivesse ido...
- Se ela me trouxesse aquilo...
- Se eu pusesse aquilo ali...
- Se eu tirasse isto daqui...
- Se eu fizesse assim... e se fosse tudo assado...
Os "ses" são tantos que de repente dei conta que me perguntava a mim própria_
- E se recheasse os peitos de frango?

Foi isso mesmo! Tinha deixado a descongelar três peitos de frango para o jantar. Tinha que os preparar de uma forma prática e gostosa e, no meio da teia de pensamentos, ocorreu-me recheá-los com farinheira de cogumelos.

PEITO DE FRANGO RECHEADO COM FARINHEIRA DE COGUMELOS



3 peitos de frango
1 farinheira de cogumelos
1/2 pacote de sopa de cebola
100 ml natas



Abri os peitos de frango ao meio e cortei a farinheira em três pedaços. Coloquei cada pedaço dentro de cada peito da carne e fechei com palitos. Num prato, deitei a sopa de cebola e passei por ela a carne já recheada. Untei um tabuleiro refractário com óleo e dispus a carne. Reguei por cima com as natas e levei ao forno a 180º cerca de quarenta minutos. Para acompanhar, saíu um arroz também de cogumelos.

Que rico petisco! ;)

Ah! E, da roupa engomada... falta arrumá-la e isso fica para amanhã!



quarta-feira, 30 de março de 2011

A carne de porco preto...

... é verdadeiramente apreciada cá na tasca!

É uma carne em tudo diferente de todas as outras raças de porco. Começando pela genética do bicho, à forma como é criado e alimentado. A sua carne marmoreada de cor rosada escura e branca, e em algumas peças chegando mesmo ao tom avermelhado, resulta num aroma e sabor de requinte. Os secretos, as plumas, as burras, o lombo, o entrecosto, os lombinhos, o cachaço, os enchidos... enfim, não há peça que se possa dizer "não apreciamos". Em tempos e numa altura em que a minha actvidade profissional me proporcionava viajar constantemente para o meu adorado Alentejo, era de lá que eu vinha abastecida desta fabulosa carne. Trazia-a em quantidade e toda arranjadinha de modo a chegar à tasca e ser só congelar. Algumas vezes, aconteceu-me ir no dia errado, no dia em que não havia "a tal" que eu desejava, então lá fazia eu um desviozito de uns bons quilómetros para providenciar tão importante falta no stock da engorda. Visitar nuestros hermanos a Rosal de la Frontera, encher as malas térmicas, fazer mais umas compritas que valem sempre a pena e voltar para casa, feliz da vida. Também em férias, não escapam uns dias pela planicie alentejana e até já aconteceu ir propositadamente. Para além desta carne, gosto de trazer o azeite de Moura, os queijos de Serpa, o vinho do Esporão e de Pias, o pão, as azeitonas... xiii... que a lista não tem fim e já estou a viajar sem sair do sofá... sinal que estou a precisar de ir até lá :)


No passado domingo, para o almoço, saíu da cozinha para a mesa da sala:


BURRAS DE PORCO PRETO NO FORNO


10 burras

3 dentes alho esmagados

2 folhas louro sem o veio

sal qb vinho branco (a olho)

tomilho qb

Na véspera temperei a carne com os ingredientes acima. No dia, foi só regar com um fio de azeite e levar a assar em forno lento virando a carne de vez em quando. Para acompanhar, fiz um belíssimo arroz de grelos.

ARROZ DE GRELOS

1/2 molho grelos arranjados

1 cebola média

2 dentes alho

1 folha louro

1 colher de café de massa de pimentão

arroz qb

azeite qb

água qb

sal qb

Num tacho deitei a cebola e o alho bem picadinhos, o louro e a massa de pimentão. Reguei com um fio de azeite e deixei cozinhar uns cinco minutos. Juntei os grelos, tapei o tacho e deixei-os cozer no vapor. Acrescentei o arroz envolvendo-o bem nos grelos e de seguida a água a ferver (o dobro da medida de arroz). Temperei de sal e deixei cozer durante dez minutos. Retirei do fogão e coloquei a tampa no tacho para suar e deixar o arroz bem soltinho.

O que nos deliciamos com este petisco…

- Titó! Vamos ao Alentejo? Ou ao Rosal?

- Uh! É já ali ao lado...

- Não queres ir? Um dia destes prego-te uma partida! ;)

quarta-feira, 16 de março de 2011

A saúde...

... é o nosso bem mais precioso!

E quando surgem sintomas de que algo não vai bem e esses sintomas se prolongam por tempo sem fim, para além do mau estar que provocam e da natural preocupação, também uma certa dose de mau humor e falta de disposição acabam por se instalar. Assim têm sido os meus dias, indisposta. Já fui ao médico, já realizei uma série de exames, já tenho os resultados e aparentemente está tudo normal, mas resta-me esperar pela consulta na próxima semana e pela avaliação de quem de direito. Com isto, ando sem vontade de cozinhar e farta de só comer sopas, alguns cozidos e grelhados, maçãs cozidas, beber chás e pouco mais. A paciência, a concentração, a inspiração e a auto-estima andam pela "rua da amargura"...

Hoje, para o jantar, tinha destinado bifes de perú. Mas grelhados? Ai que já não posso nem cheirá-los quanto mais comê-los, pensei e disse para as maçãs que estavam na fruteira:
- Bem, meninas! Acho que vou arranjar os bifes para a Titó e duas de vós vão ser o meu jantar... cozidas, ok?
Elas já nem me respondem, nem esperam outro destino, depois de verem as suas companheiras irem todas a caminho de um tacho com água e serem servidas numa tigela com direito a colher de sobremesa.
Chega a Titó e engelha o nariz a bifinhos de perú grelhados...
- Oh Mãe Bela! Ficam tão secos... faz de outra maneira...
- Ai! Mas como?
- Não sei, inventa!
Com a falta de idéias e vontade, acabei por dar a volta ao frigorífico e à despensa e acabou por sair este prato a que chemei:


TIRINHAS DE PERÚ COM ARROZ SELVAGEM


3 bifinhos de perú cortados em tirinhas
3 dentes alho
1 tomate maduro
1 lata cogumelos laminados
1 colher sopa molho cocktail da Heinz
1 chávena de arroz selvagem
azeite qb
sal qb

Levei o arroz a cozer em água abundante e uma pitada de sal. Escorri e reservei. No wok deitei um fio de azeite, os alhos bem picadinhos e as tirinhas de perú. Polvilhei com uma pitada de sal, juntei o tomate cortado em cubos, os cogumelos e o molho cocktail. Envolvi bem e deixei cozinhar mais ou menos dez minutos. Juntei o arroz, envolvi e deixei apurar os sabores mais uns cinco minutos. Servi com salada de alface cortada em juliana.

Uma refeição rápida, prática e excelente. Acabei por me juntar à Titó e deixar as maçãs para outro dia. Soube-me super bem :) e não foi por isso que me senti pior... senti-me na mesma, como se tivesse comido apenas sopa ou maçã cozida.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Há quanto tempo...

... eu não fazia isto!

Gerir e destinar as ementas desta tasca nem sempre é tarefa fácil. A Titó almoça fora de casa todos os dias úteis da semana e muitas vezes chegada a hora do jantar, ouço isto:

- Oh Mãe Bela! Isso foi hoje o meu almoço!
- Oh Mãe Bela! Ainda ontem almocei isso!
- Oh Mãe Bela! Já não aguento mais comer isso!

E nos dias em que almoça, ouço o mesmo! Ufff!!!

- Titó Maria! Fazes o favor de todos os dias depois de almoço me fazeres chegar informação detalhada do repasto, ok? Via sms, e-mail, phone call, telegrama, sinais de fumo... sei lá... Pfff!

Isto é conversa diária. É o baralha, parte e volta a dar e a missiva nunca chega em tempo útil. Posto isto, e quando o meu tico e o meu teco se sintonizam na mesma frequência sem ruídos estranhos a atrapalhar a comunicação, dou comigo a pensar no que é que há muito tempo não cozinho, que seja do agrado de ambas e que haja poucas probabilidades da menina comer na casa da avó.

- Hei!!! Hummm!!! Yes!!! Há bué que não faço...


ESPARGUETE À BOLONHESA


carne de vaca picada qb (usei cerca de 600gr)
1 cebola
3 dentes alho
1 folha louro
1 cenoura
300 ml polpa tomate
100 ml vinho branco
sal qb
azeite qb

Num tacho coloquei a carne, temperei com sal e envolvi bem. Juntei a cebola e os alhos picados, a cenoura ralada, a folha de louro partida em quatro e sem o veio, a polpa de tomate (costumo usar tomate madurinho mas como não tinha, usei a polpa, e também costumo pôr salsa fresca picadinha mas também não tinha), o vinho branco e o azeite. Deixei cozinhar em lume brando até ficar bem apuradinho mexendo de vez em quando.

esparguete qb
água e sal qb
1 fio óleo
oregãos

Quando a carne estava quase pronta, levei o esparguete a cozer al dente e inteiro em água abundante temperada de sal e com um fio de óleo para não pegar. Depois de cozido, escorri.

Servi directamente nos pratos, primeiro o esparguete e depois a carne por cima. Polvilhei com oregãos e... Titó, Mãe Bela e a amiga Paula...


- Che bel piatto italiano! *


* a tradução é do google porque desisti do meu curso de italiano ao fim de três ou quatro aulas.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Já dizia Lavoisier...

... "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma"

E sempre que digo ou ouço esta frase, recordo-me das aulas de química de há tantos tantos anos atrás, da lei da conservação da massa, do reboliço das experiências, dos ataques de histeria da professora e das fantasias de alguns amiguinhos que encenavam uma espécie de circo para que o laboratório explodisse a qualquer momento e a stora fosse pelos ares!
Nunca aconteceram explosões estranhas nem a professora voou pela janela ou pelo telhado com as ventas farruscas, os cabelos desgrenhados e o fato saia-casaco esfanicado. O meu 8º ano de escolaridade foi o mais louco que possam imaginar... mas não, não imaginam! Ai seu eu pudesse voltar atrás... fazia tudo igual! Ou, sabendo o que sei hoje... com muito mais classe! Eheheheh

Bem, mas voltando à lei de Lavoisier, que se cumpre totalmente aqui na tasca, vamos lá contar o que não se perdeu a partir do que se criou e que posteriormente se transformou.

Do lombo acelerado, que por sinal era muito grande, sobrou cerca de metade. Como não se pode desperdiçar nada e muito menos comida, e como há muito tempo não fazia um valente empadão... aqui vai disto!


EMPADÃO DE CARNE


fatias de carne sobrantes, picadas na 123
1 chouriço de carne cozido, picado na 123
1 cebola grande picada
1 tomate maduro picado
2 dentes alho picados
1 folha de louro
1 ramo de salsa picado
1 fio azeite

Tudo no wook, bem envolvido, em lume brando e durante breves minutos (até a cebola ficar cozinhada).

1 embalagem de puré batata congelado (da marca da casa do xô Belmiro, que é o único que a Titó gosta) e que é muito rápido de confeccionar seguindo as instruções da embalagem.
3 gemas ovo

Puré feito. Uma camada no fundo do pirex, depois uma camada da carne picada e por fim outra camada de puré. Gemas dos ovos batidas e espalhadas por cima. Uns efeitos especiais feitos com um garfo para dar mais graça ao aspecto final e pirex para o forno a 2ooº para alourar.


Uma saladinha de alface e... Já está!


Não m'enfarrusquei, não me desgrenhei e também não me esfaniquei com muita louça suja e fez-se tudo num ápice!


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Picuinhices minhas...

... e o tempo que voa e um almoço para fazer!

Se há coisa que me entretém, é passar uma manhã em pijama, andar pela tasca nas tarefas da rotina diária e sem dar conta das horas. Ela é arrumar os quartos, separar e pôr roupas a lavar, limpar os wc's da gataria, aspirar o chão, pôr roupa a secar, regar as ervas aromáticas, tirar umas folhas secas desta ou daquela planta, abrir um armário ou uma gaveta para arrumar uma qualquer peça, e... de repente, armário vazio. Despejo, limpo, tiro coisas que vou acumulando e que chego à conclusão de que só estão a ocupar espaço e não me sirvo mais delas. Volto a arrumar e a trocar coisas de sítio. É o tira daqui e guarda ali. Tomo o embalo da arrumação e quando dou por mim, em vez de mexer só naquele armário já tenho a guerra montada pela casa toda.

- Mãe Bela! Não vais fazer o almoço?

No meio daquele tira-limpa-deitafora-guarda-trocadesítio-arrumadaqui-desarrumadali, está quase na hora da refeição e o lombo de porco nem temperado foi.

- Xiii... Era para assar lombo no forno...

Mas, dona de casa que é dona de casa não entra em stress. Há uma lei que impera e que se aplica sempre nestas ocasiões. A lei do desenrascanço. Que, se aplicada convenientemente, resulta num grau de excelência por vezes maior do que qualquer esmero de passar uma manhã inteira na cozinha e não fazer mais nada. E o almoço foi lombo de porco assado no forno e imaginem uma Cenourita em fast motion a preparar o almoço em tempo curto.


LOMBO DE PORCO ACELERADO


1 peça lombo de porco
sal qb
massa de pimentão qb

Ligar o forno a mais de 200º para aquecer rápido. Esfregar a carne com o sal e a massa de pimentão e colocá-lo num tacho.

3 dentes alho esmagados
1 copo vinho branco
1 fio de azeite

Espalhar o alho esmagado e bem picado. Deitar o vinho branco e o azeite. Acender o bico do fogão.

3 cebolas médias

Juntar as cebolas descascadas e inteiras. Tapar o tacho e deixar cozinhar virando a carne de vez em quando.

batatinhas novas qb

Lavar bem as batatinhas e não descascar. Colocá-las no prato do micro-ondas e levar a assar cerca de quinze minutos (o meu micro-ondas é do séc. XV, por isso, muito lento). Ir virando a carne dentro do tacho.

1 farinheira de cogumelos

Retirar as batatinhas do micro, colocar lá a farinheira bem picada com um palito, cerca de três minutos. Retirar e reservar.

Tirar a carne do tacho (estava ainda crua por dentro). Fatiá-la com a faca eléctrica. Colocá-la na assadeira com muito jeitinho. Retirar a pele às batatinhas, cortá-las (umas ao meio, outras em quartos) e dispô-las em volta da carne. Cortar a farinheira em pedaço e pôr por cima das batatas. Pôr as cebolas por cima da carne. Regar tudo com o molho do tacho.

tomilho qb

Salpicar com tomilho e levar ao forno durante cerca de quinze minutos para acabar de cozinhar a carne, alourar as batatinhas e tomar o sabor da farinheira e o aroma do tomilho.

Enquanto isto, acabei as arrumações - estas picuinhices que em certas alturas me servem de terapia ocupacional do corpo e da mente - e a mesa foi posta a rigor, e:

- Pessoal!!! Almoço pronto!!! Bora pá mesa!!!


Ufff!!! Escrevi este post à mesma velocidade que fiz o almoço!!! Até estou cansada... ;)


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Afinal, até que me dava muito jeito...

... um instrumento de corte característico de qualquer açougue ao virar da esquina!

Não comecem já aí pensar coisas estranhas qu'eu não sou moçoila dada ao corte por peso e medida, nem ao corte e cose, e muito menos à violência. Vá... há cortes, que faço, mas isso são outras matérias que dispensm utensílios cortantes e se regem por factos e acontecimentos ao longo da vida. Mas, vamos lá ao que me faz falta na gaveta da cozinha. Um cutelo! Isso mesmo!

Ora, há uns dias atrás, o Nino aparece-me aqui na tasca com um embrulho de plástico resistente branco que largou no chão da cozinha e que, automáticamente despertou os gatos do soninho tranquilo que dormiam e os fez correr até ali e não dar descanso às suas células olfactivas.

- Vamos lá almoçar rápido para depois o desmanchar! - ele já a arregaçar as mangas.
- Tadito do borreguinho! - eu assim para o desconcertada.
- Uh! Não te vai saber bem comê-lo? - ele danadinho para o ter já no prato.
- Pois, mas... a ver estas coisas... qualquer dia deixo de comer carne! - eu assim nem sei bem como.
Pois lá que o bicho foi desmanchado, foi. Sem cutelo para ajudar a partir os ossos mas com força d'homem que outrora fora caçador e que já fizera muitas tarefas destas e, que graças aqui à Cenourita... já me diz:

- Agora nem um coelhinho que se m'atravesse no caminho... até me desvio! - ele a transbordar compaixão.
- Yes! Yes! Yes! - eu toda contentinha.

De modos que, ontem para o almocinho, mesmo com uns pedaços assim para o grandito, saíu este:



ESTUFADO DE BORREGO COM CENOURA E BATATA A MURRO


1 kg borrego (mão e lombo)
2 cebolas
2 cenouras
3 dentes alho
1 folha louro
2 dl vinho branco
1/2 copo água
1 colher sobremesa de massa pimentão
sal qb
azeite qb
1 raminho coentros
batatinhas novas qb para acompanhar

Esfreguei os pedaços de carne com sal e a massa de pimentão. Juntei as cebolas e os alhos picados, depois as cenouras em pedaços grandes, o louro e um raminho de coentros. Adicionei o vinho diluído com água e reguei com um fiozinho de azeite. Levei ao lume, brando, a estufar lentamente. Quando o estufado estava quase apurado, lavei bem as batatinhas e levei-as a assar no micro-ondas. Retirei-as e dei-lhes um murro bem suave para não as esborrachar. Servi num alguidar de barro alentejano, onde primeiro coloquei a carne, à volta, as batatinhas que reguei com o molho e enfeitei com coentros.

Acompanhámos com, Quinta dos Currais Tinto de 2008 e, inevitavelmente, umas fatias de pão caseiro! Mnham mnham mnham...



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Diz que não há açucar...

... nos hipermercados, supermercados, mercearias e afins!

É mau! É muito mau! Do pior, mesmo! Mas, sinceramente, não me causa qualquer transtorno (neste momento) e até me dá um certo jeito, assim não me tento a fazer guloseimas para além do stock existente na tasca ;)

Agora se... faltasse o arroz... Ai ai ai!!! Aí é que a Cenourita ficava a bater mal!!!

Não fosse uma das minhas preocupações e cuidados do dia-a-dia, confeccionar refeições com vista a uma alimentação equilibrada... eu cá, comia arroz todos os dias e de qualquer maneira, menos crú... Ok, ok, Sou uma arrozeira de primeira, uma arrozódependente ou melhor, uma maluca por arroz!

E como também sou maluca por tudo quanto é legumes, acho óptima a ideia de os acasalar. Eheheheh!!! Fazem um par perfeito!!! Não acham??? Por isto, e mais alguma coisa, resolvi fazer um estrondoso arroz de couve roxa para acompanhar uns valentes secretos de porco preto grelhados!

A receita é tão básica e rápida que não me chateia nada repetir vezes sem conta. E o resultado, megabom!

ARROZ DE COUVE ROXA


1 cebola picada
2 dentes alho
azeite qb
1 couve roxa (ou 1/2 - consoante o gosto e o tamanho)
arroz qb
2 x e meia a medida do arroz de água
sal qb

Num tacho deita-se a cebola picada juntamente com o alho e rega-se com um bom fio de azeite. Deixa-se cozinhar um pouco (sem deixar fritar a cebola). Acrescenta-se a couve previamente lavada e cortada em juliana grossa. Tapar o tacho e deixar cozer a couve no seu próprio vapor com o lume baixo. Juntar e envolver o arroz lavado e bem escorrido, de seguida a água a ferver. Temperar de sal e cozer cerca de dez minutos com o tacho tapado. Retirar de cima do fogão e deixar repousar um pouco antes de servir.


Este foi o acompanhamento dos secretos de porco preto grelhados, que temperei apenas com sal uma horita antes e depois grelhei na chapa do fogão.

- Tirem-me o prato da frente, por favor! Antes que eu m'empanturre!


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sabores de Outono...

... à mesa da tasca!

Lá fora está frio, e até sabe bem. Entra-se na tasca e o ambiente é de conforto. Soltam-se os agasalhos, calçam-se as pantufas fofinhas.

- Hummmm!!! Que consolo!!!

Acende-se a lareira. Sente-se no ar aquele aroma das pinhas a atear a lenha de oliveira e sobreiro, o crepitar das brasas, o vício de olhar aquela chama amarelada com nuances azuis, verdes e douradas, o calor natural... Que bem estar! Que voluptuosidade de jantar!

STROGONOFF DE PERÚ COM GAMBAS EM CAMA DE CASTANHAS


4 bifinhos de perú cortados em tiras
1 cebola roxa
3 dentes alho
azeite qb
sal qb
2 colheres de sopa de polpa de tomate
1/2 copo vinho branco
200 ml molho bechamel
cebolinho
400 gr camarão cozido e descascado
800 ge castanhas congeladas

Cortei os bifinhos em tirinhas e temperei com sal. Piquei a cebola juntamente com os alhos e levei ao lume em azeite a cozinhar um pouco. Juntei a carne a alourar de ambos os lados, depois a polpa de tomate e o vinho branco. Enquanto a carne cozinhou, cozeram-se as castanhas em água e sal que depois foram escorridas e espalhadas no fundo de um pirex, descasquei e cortei os camarões na longitudinal. Adicionei-os à carne e de seguida o molho bechamel e o cebolinho cortado miudinho envolvendo tudo muito bem. Deixei apurar breves minutos, deitei sobre as castanhas e polvilhei com mais cebolinho.

A acompanhar, um tinto Currais de 2008.

Reacção das duas filhotas, as cobaias: Sublime!!!


sábado, 20 de novembro de 2010

Trivial...

... em qualquer cozinha!

E, na Tasca não é excepção. Escassez de tempo e ideias não têm permitido grandes aventuras e inovações de avental à frente e movimentação de tachos, panelas e fogão. Por cá andamos numa de refeições ligeiras, cozidos e grelhados com legumes a acompanhar, tudo muito leve e muito simples. Ontem apeteceu variar e, para o almoço, saíu um apuradinho:


ESTUFADINHO DE VITELA COM ARROZ DE LOMBARDA



vitela para estufar qb
2 cebolas médias
2 tomates
2 dentes alho
1 folha louro
1 colher chá de massa pimento
1 copo vinho branco
1 copo água
sal qb
azeite qb

Coloquei a carne no tacho, temperei com o sal e de "enfiada" juntei os restantes ingredientes acima mencionados. Foi ao lume, brando, a estufar lentamente e mexendo de vez em quando e até a carne estar bem tenrinha, bem cozinhada e o molho apuradinho.

Para acompanhar, arroz de couve lombarda. Há quanto tempo eu não o fazia... é tão bom! Nós arrozeiras nos confessamos...

1 cebola picada
2 dentes alho
azeite qb
1 couve lombarda pequena (usei a parte mais clara)
1 colher café de massa de pimento
arroz qb
3 x a medida do arroz de água
sal qb

Num tacho deita-se a cebola picada juntamente com o alho e rega-se com um bom fio de azeite. Deixa-se cozinhar um pouco (sem deixar fritar a cebola). Acrescenta-se a couve previamente lavada e rasgada à mão em pedaços granditos e a massa de pimento. Tapar o tacho e deixar cozer a couve no seu próprio vapor com o lume baixo. Juntar e envolver o arroz lavado e bem escorrido, de seguida a água a ferver. Temperar de sal e cozer cerca de dez minutos com o tacho tapado. Retirar de cima do fogão e deixar repousar um pouco antes de servir.


Um almoço simples que fez as delícias das quatro comensais à mesa :)


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um almoço domingueiro...

... típicamente português!

Depois da azáfama das lides domésticas de quinta-feira à noite e sexta-feira o dia inteiro até às tantas... o sábado acordou espevitado aqui para estas bandas. Alguns ajustes pelos interiores dos armários e a limpeza da garagem. A meio da tarde e depois de dada como finda a jornada, alguém toca à campaínha. Num acto instintivo e sem olhar pelo visor do intercomunicador, pressiono o botãozinho que abre a porta da rua de acesso à tasca. Segundos depois, novo toque, desta feita, à porta principal. Abro, e... fico estupefacta! Visitas inesperadas! Um casalinho simpático de amigos e respectiva prole! Tasca cheia! Crianças felizes que se deliciaram a brincar com a Piu e com objectos desprovidos de importância que transformaram em brinquedos, que tentaram a todo o custo brincar com os gatos, mas... eles não estão habituados aos mais pequenos, e trataram de se esconder e não ligar nenhuma às visitas. E os adultos, trataram de pôr a conversa em dia. Foi uma grande surpresa, uma passagem rápida pela tasca! Adorei conhecer pessoalmente as crianças de quem tanto ouvia falar, adorei a vossa visita!

Depressa se fez noite, preparei as coisas para o almoço de domingo, fiz uma sobremesa rápida, e...

-Vai dormir Cenourita! - dizia eu, para eu ;)

Domingo no calendário, bem cedinho, por sinal...

- O quê? Já acordaste Cenourita? - dizia eu, para eu :)

Toca a levantar e pôr tudo na panela. Estava tudo preparado da noite anterior, foi só pôr a cozer.


COZIDO À PORTUGUESA


carne vaca cozer costela) qb
carne porco (pernil) qb

Carnes temperadas com sal, na véspera. Uma panela com água ao lume. Assim que começou a ferver coloquei as carnes.

1 chouriço de Leiria
1 chouriço negro do Fundão
1 morcela de arroz de Leiria
1 farinheira do Fundão

Já as carnes estavam cozidas, juntei os enchidos. Deixei cozer durante breves minutos. Retirei da panela, cortei em pedaços e reservei num tacho tapado e em banho-maria para se manterem quentinhas.

3 batatas
3 cenouras
1 cabeça nabo
1 couve lombarda
arroz qb

Tudo devidamente descascado, lavado e cortado, na véspera. Depois de retirar as carnes do caldo, deitei os legumes e o arroz dentro da bola própria para a sua cozedura, deixei cozer.

Por fim, servi na travessa redonda, um Cozido à Portuguesa, acompanhado de brôa de milho e tinto Alentejano de Borba.

Há quanto tempo eu não fazia isto... tão rápido, tão fácil, tão bom, tão aconchegante, tão enfartador...

- Não me ponhas mais comida no prato, por favor!!! - a Cenourita para o Nino.
- Só mais este bocadinho de farinheira que tu adoras!!! - o Nino, tão gentil.
- Olha que ainda temos sobremesa! - a Cenourita a tentar fazer-se de esquisita.
- Fica para o lanche! - ele, danadinho para "provar" o pudim.

Café e cigarrito. Dois comensais á mesa da tasca a lastimarem-se.

- Xiii... comi demais!
- Estou que nem um abade!

- Quem vos manda ser lambões??? - a familia felina feliz, sentada na cadeira que lhes pertence, com aquele olhar que transmite o que é mais do que óbvio.

- Lambões mesmo! - os dois, em coro e um ataque de riso.

Escusado será dizer, que o resto do dia foi passado, não na ronha, mas... a descansar o almoço ;)



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O regresso à normalidade na cozinha da tasca...

... quase parece o regresso às aulas!

O inicio de um novo ano para os estudantes e também para os pais, educadores, professores e no fundo, para todos nós que voltámos a ver a malta jovem pelas ruas da cidade, nas paragens de autocarro, a caminho das escolas e daquela que há-de ser a sua vida futura em função das escolhas e oportunidades.

Nesta cozinha, as escolhas continuam difíceis e as oportunidades de confeccionar petiscos novos vão surgindo consoante a inspiração da encarregada de serviço contínuo, digo, administradora do lar, que é mais fino. As temperaturas continuam elevadas o que não ajuda muito, os apetites vão oscilando entre o nivel acentuadamente elevado e negativo:

- Mãe Bela! O jantar? Tou cheia de fome!
- Titó! Ai ainda nem sei o que há-de ser...
- Quero lasanha!
- Com este calor... só se a fizeres tu!

E,

- Mãe Bela! Não tenho fome, não faças jantar!
- Titó! Tens que te alimentar!
- Eu como qualquer coisita!
- Qualquer coisita não há!

Hoje, não foi diferente! Uma a descarregar as acumulações no novo maquinão engomador e, a destilar por tudo quanto era póro. A outra a estalar de cansaço... adormecida no sofá. De repente, passa um perú a fugir à fúria da engomadeira de serviço, atrás dele umas gambas abafadas de gelo e... ateia-se faísca na luzinha de presença da luminária desta chef do amanho doméstico e, de súbito, saíu este prato, bem gostoso por sinal!

BIFINHOS DE PERÚ AO MOLHO DE GAMBAS


4 bifes de perú
4 dentes alho
400 gr gambas descascadas e congeladas
azeite qb
sal qb
mistura de especiarias (pimentão e louro) qb
1 colher sobremesa molho cocktail da HEINZ

Temperei os bifinhos só com sal. Descongelei as gambas e levei-as à frigideira com o alho finamente picado e já ligeiramente frito no fundo coberto de azeite. Polvilhei com a mistura de especiarias e deixei cozinhar lentamente. Juntei os bifinhos e salpiquei com pinguinhos do molho cocktail. Tapei, deixei suar um pouco para fazer molhinho, voltei a carne e tapei novamente até estar completamente cozinhada.

Servi com esparguete al dente... e está pronto! Ficou PERFEITO!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma perdição...

... da administradora da tasca!

Há uns dias atrás, em casa dos pais da minha amiga Paula, houve matança de porco. Andava eu a vaguear aqui pela tasca, nas jardinagens e na carneirice com a familia felina feliz, quando toca o meu telefone. Do outro lado, um convite para ir até ao campo. Como toda aquela família me conhece bem e sabe o que eu deliro com estas actividades... Já estavam prontas as típicas morcelas de arroz e decorria a tarefa de cortar a carne para os chouriços. Lá fui eu, que até me pinto, meter as mãos na carne fresca. Depois, segui-se a parte do têmpero.

- Anabela, o que é que costuma pôr no têmpero? - perguntavam-me elas.

E agora dizem vocês:
- A Cenourita? Mas algum dia a Cenourita encheu chouriços?
Ao que eu respondo:
- Não só enchi, como cortei as carnes, temperei, dei-lhes a volta milhões de vezes dentro do alguidar de barro, enchi, piquei, atei, pendurei ao fumeiro, e as voltei até estarem boas para a arca e para o prato!

Pois isto, já lá vão uns bons anos em que da minha vidinha faziam parte este tipo de trabalhos que eu adorava. Como tudo passou, agora até me regalo quando sou convidada a participar e fico toda inchada quando me perguntam como é que eu fazia... eheheheh

Tarefa concluída e lá vamos todos para a mesa, "encher a blusa" de morcela acabadinha de fazer com um belo de um pão caseiro e, como não podia deixar de ser, um tinto da casa para ajudar a digestão do petisco.

Na hora de regressar à tasca, espetam-me com um saco de carne na mão e, um grande dilema quanto ao destino a dar ao fígado do animal... Ora eu, que adoro fígado não podia recusá-lo.

- Leve, leve! Já está cortadinho em iscas e fininho! - dizia a D. Zulmira.

E eu trouxe, e eu deliciei-me, e eu babei-me, e eu empanturrei-me, e eu nunca me hei-de enjoar deste petisco!


ISCAS COM ELAS


fígado cortado em iscas
dentes alho qb
sal qb
pimenta branca moída na altura qb
1 folha de louro
azeite qb

Temperar as íscas na véspera de as cozinhar com o sal, os alhos esmagados, a pimenta e o louro. No dia seguinte, deitar azeite numa frigideira até cobrir o fundo. Deixar aquecer bem e colocar as íscas uma a uma. Depois de colocada a última, virá-las todas começando pela primeira. Tapar a frigideira e deixar cozinhar cerca de 15 minutos em lume brando e voltá-las pelo menos mais uma vez antes de retirar do lume.

Para acompanhar, só umas batatas cozidas com aquele molhinho tão característico por cima.

Mnham mnham mnham!!! Adoro Adoro Adoro!!!*


*só eu, porque o restante pessoal da tasca nem as pode ver!



terça-feira, 13 de julho de 2010

Coelho com Arroz do Pinhal

Era a Titó pequenita, a tradição dos domingos de verão era o almoço no pinhal. Podíamos ou não ir à praia de manhã, mas aquela refeição era sagrada, na maioria das vezes com a presença da família.
Na véspera, à noite, eu preparava tudo ao pormenor. A refeição, a sobremesa, as bebidas, a fruta, o café que ía num termo... e mais uma parafernália de tralhas. Aquilo parecia que se ía de férias por muitos dias e, afinal, apenas se andavam meia dúzia de quilómetros e lá abancávamos no sitio do costume, no Pinhal do Rei! Estes pic-nics iniciavam-se pela Quinta-feira da Ascenção e duravam até ao fim do verão. As ementas iam variando, mas a preferida de todos e a mais solicitada era sempre "O Arroz de Coelho" a que a Titó chamava de "Arroz do Pinhal".


Até há poucos anos atrás, este era um dos pratos favoritos dela, mas a Mãe Bela "estragou tudo" num certo dia em que foi passear à feira de Santarém e de lá lhe trouxe um coelhinho anão. O anormal que se quiz desfazer do coelhinho à força toda, dissera que o bichinho já estava desmamado e comia e blá blá blá... mas, ele quis foi vender, e o pobre coelhito não resistiu. Não conto a história toda porque é triste e não gosto sequer de relembrar, mas o certo é que a partir dessa altura... a menina nunca mais comeu coelho, o petisco que adorava! Ou melhor, petiscou qualquer coisita a muito custo, desta vez!


Agora que ela está de férias lá pós Allgarves, a administradora e cozinheira da tasca aproveitou e deliciou-se com este maravilhoso:

COELHO COM ARROZ DO PINHAL




1 coelho partido em pedaços (nunca aproveito a cabeça)
3 dentes alho bem picadinhos
1 folha louro
sal qb
vinho tinto qb

Começo por partir o coelho e temperá-lo já no tacho na véspera de o cozinhar. O ultimo tempêro que coloco é sempre o vinho e a quantidade é até cobrir mal a carne. Guardo no frigo.

2 cebolas picadas
colorau qb
azeite qb

Na altura de cozinhar, pico as cebolas e deito por cima. Polvilho com o colorau e deito o azeite. Com a colher de pau, envolvo tudo e levo ao lume a guisar lentamente e mexendo de vez em quando.

arroz qb
dobro da medida de arroz de água

Depois do coelho guisado, retiro-o do tacho. Deito o arroz préviamente lavado, escorrido e bem seco. Envolvo-o naquele molho e deixo-o cozinhar até absorver todo o liquido. Acrescento a água necessária já a ferver, rectifico o sal e deixo cozer cerca de dez minutos com o tacho destapado. Retiro o tacho do fogão para uma superfície mais fria, coloco a tampa e assim fica a suar um pouco.


Na altura de servir, apresenta-se bem soltinho e levo-o à mesa sempre no tacho!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...