Os Meus Artigos

sábado, 29 de janeiro de 2011

Siddhartha

Há muito que este livro esperava na minha estante. Quando terminei a leitura do anterior, levei-o para a mesa de cabeceira, mas ultimamente não tenho conseguido ler antes de dormir. Deito-me tarde e a leitura acaba por ficar à espera de uma oportunidade melhor. Certos livros, gosto de me concentrar totalmente, sem qualquer interferência de alguêm, sem interrupções, sem barulho. Hoje tirei a tarde para me mimar e há melhor mimo do que fazer aquilo que se quer, à hora que se quer e sem tempo marcado? Para mim, uma tarde inteira de leitura com mini intervalos para dar uns goles na chávena do chá e com o ronronar doa miaus deitados aos meus pés como som de fundo é do melhor.


Absorvi palavra a palavra deste livro, que considero dos melhores que já li. Um livro que todos deveriam ler, que nos deixa a pensar e que nos dá uma grande lição de vida, que nos mostra as escolhas que fazemos depois daquilo que nos é ensinado de berço, a busca incessante no nosso próprio "EU", das nossas conquistas, do que é importante e daquilo que conseguimos abdicar e que realmente nos dá a felicidade. Uma filosofia de vida, sem dúvida muito peculiar.


Siddharta é um romance escrito por Hermann Hesse, um dos maiores escritores alemães. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1946. A sua primeira publicação foi em 1922 e conta passagem da sua vida e pensamento durante a sua estadia na Índia em 1910, inspirado na tradição contada de Siddhartha Gautama, o Buda. O livro trata basicamente a busca pela plenitude espiritual, e o alcance de estados em que a mente humana se encontra absolutamente completa e plena.


Apetecia-me transcrever o livro inteiro, mas apenas vos deixo este excerto:


"Olhou satisfeito para o rio, nunca a água lhe agradara tanto com esta, nunca compreendera tão clara e profundamente a voz e o significado alegórico da água que corre. Parecia-lhe que o rio tinha algo especial para lhe dizer, algo que ele ainda não sabia, que ainda o aguaradava. Olhou afectuosamente para a água, para o seu verde translúcido, para as linhas cristalinas dos seus contornos cheios de segredos. Viu pérolas cintilantes emergirem do fundo, bolhas de ar flutuando serenamente no espelho de água, reflectindo o azul do céu. O rio olhava para ele com mil olhos, verdes, brancos, cristalinos, azuis celestes. Como ele amava esta água, como ela o fascinava, quão agradecido lhe estava! Ouvia a voz falar-lhe no seu coração, desperta outra vez, dizendo-lhe: Ama esta água! Fica junto a ela! Aprende com ela! Sim, ele queria aprender com ela, queria escutá-la. Parecia-lhe que quem compreendesse esta água e os seus segredos compreenderia muitas outras coisas, muitos segredos, todos os segredos. Mas hoje, dos segredos do rio ele via apenas um, um segredo que enchia a sua alma: aquela água corria continuamente, corria sempre mas estava sempre ali, para todo o sempre a mesma e, no entanto, a cada momento nova!"


Talvez pelo meu modo de ser, de estar e por todos os ensinamentos que tenho adquirido ao longo da minha existência, assimilei a "mensagem" a cem por cento. Este é um dos livros que irá estar sempre perto de mim para reler parágrafos sublinhados sempre que sinta necessidade.


Uma obra que todos deveriam ler!



4 comentários:

Duxa disse...

Obrigada pela sugestão!
Um beijinho e boa semana;)

Moira disse...

Concordo plenamente com cada uma das palavras que escreveste. Siddhartha, é sem dúvida um dos mais belos livros que li até hoje e a que retorno vezes sem conta por puro prazer.

Eu Mulher disse...

Anabela, eu fiquei super curiosa para ler esse livro.
Estou certa que é mesmo uma ótima leitura.

beijos

Cenourit@ disse...

Duxa
É excelente mesmo!

Moira
Mal o acabei de ler e já o voltei a abrir umas quantas vezes.

Ana, Eu Mulher
Lê que vale a pena e depois conta se gostaste.

Beijocas a todas***

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